| manunegra
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1961
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11-04-2009 09:48 AM ET (US)
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Luna Park
Após uma noite inteira de leitura de Eros e Psique... Acordado senta na cama, olhos vermelhos arregalados, Pensa no atrevido Pascoal e seus fins libidinosos, A gritar e bolinar com as moçoilas que por ele passam.
No bairro, o sol escondido escurece o céu de Cumulus Nimbus. Uma visão sombria naqueles guetos do centro velho da cidade, A birosca vive lotada, os caça níqueis esperam por seus otários, Nas mesas alguns jogam, outros matam seus pfs,
A cerveja e a cachaça benzida deixam todos elétricos, Com a corda toda. O vozerio aumenta, mas não incomoda o louco, Ainda que aqueles sons de muitas vozes juntas; assuada, Vozeio das meninadas a correr, ensurdeça os moradores.
Os soldados do morro com seus celulares, Estrategicamente situados na escadaria da boca, Pagam aosamangos da podre polícia suas propinas, O foguetório anuncia a chegada das drogas,
Aumentam os decibéis, Alguns traficas atiram pro alto, Balas perdidas com sabores mortais, O cemitério dos ingleses, lá pras bandas da Gamboa, Já não traz a paz dos mortos aoseus túmulos.
Na verdade tudo é insano, puro atrevimento, Guerra diária, nas barbas dos insensatos e dos inocentes, Carecas de desespero e medo.Pra lá do movimento, no alto da gruta a imagemística da divindade.Um rosto pintado.
Extenuado, levanta e resolve vestir-se. Abre a porta do barraco, Senta no chão de terra batida, Enrola um cigarrinho de diamba,
Acende, Prende a fumaça no crânio, Dá mais um trago E viaja...
Mais acima das telhas, em baixo da paisagem, o resto da city. Ali estão as crianças e o louco do Pascoal, Lado a lado do adolescente e seu fuzil a viverem seu dia, Na Comunidade da Providencia, onde fica o Luna Park.
Após uma noite inteira de leitura de Eros e Psique.
(Buenos Aires)
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