QuickTopic (SM) free message boards QuickTopic (SM) free message boards
Skip to Messages
  Sign In to access your topic list  |New Topic |My Topics|Profile
Upgrade to Pro   Customize, show pictures, add an intro, and more:   QuickTopic Pro...and check out QuickThreadSM
Topic: manunegra
Views: 10476, Unique: 5433 
Subscribers: 3
What's
this?
Printer-Friendly Page
Subscribe to get & post, or stop messages by email Subscribe
   << 1722-1737  1706-1721 of 2264  1690-1705 >>
About these ads
Who | When
Messagessort recent-bottom   
Post a new message
 
manunegra  1721
02-06-2009 08:45 PM ET (US)
El insaciable hombre araña (história)
   
 O insaciável homem-aranha (Trechos do Livro)
Pedro Juan Gutiérrez


“Tento esquecer que tem sempre alguém me controlando, opinando e decidindo nossas vidas. Não é bom lembrar disso porque o tigre que eu tenho dentro de mim fica furioso. E isso é terrível. Posso ficar vingativo e selvagem. Posso perder o controle. E na selva quem perde o controle perece. Nada de perder o controle. Tem que ser astuto.”

(In: O Tesouro da República)

“- Você é cínico.
- O suficiente para resistir”
(...)
“Vou embora. Muito obrigada. Desculpe incomodar você. É que... acho que você e eu somos parecidos.
- Todos somos parecidos.
- Todos quem?
- Todos.”

( In: No minuto exato)

“Ás vezes penso: “ É você que está mal da cabeça. Você o pirado e o pessimista de merda. Você é um imbecil e está ficando velho, amargo e com arteriosclerose”. Mas quando saio para a rua escuto as pessoas maltratadas, irritáveis, se queixando de tudo, injetando ódio e rancor nas outras. O que é isso? O aquecimento global? O apocalipse por que tanta amargura e frustração?

( In: O insaciável homem-aranha)

“Acaba de se divorciar: “ Aqui a vida corre como se fosse um corredor. Pouca coisa de interesse de um lado e de outro, pelo menos de interesse para mim, que vou perdendo o interesse a medida que os anos passam. Não sei se estou muito puto com o exterior ou se simplesmente não me importa mais. Não escrevo e não sei o que vai ser da minha vida nos próximos ...” Ah, caralho.”

( In: O insaciável homem-aranha)

“Me pergunto se todas as vidas são vertiginosas e caóticas como a minha. Será que todos vivem tão desesperadamente? É insuportável. Ás vezes, penso que preciso me refrear um pouco. Outras vezes, penso que já está tudo feito. E não tem volta. Quando a gente escreve até transformar a escrita em vício, a única coisa que se faz é explorar. E para encontrar alguma coisa é preciso ir até o fundo, é impossível regressar até a superfície. Não pode sair jamais.”

(...)

“ ... Por volta das cinco dirigi-me calmamente à igreja. O calor e a humidade ainda eram sufocantes. A entrada para as reuniões dos Alcoólicos Anónimos é por trás. Era cedo e ainda estava fechado. Caminhei um pouco mais. Parei numa esquina para fazer tempo. E ali estavam as tentações todas à minha frente: o bar Casa Grande, velhíssimo, desmazelado até à imundície, e sem nada nas prateleiras, mas num canto do balcão havia um empregado a vender rum barato, cigarros e charutos. Isso nunca faltava. E as mulatas e as negras - as brancas aborrecem-me, definitivamente - a passar pelo passeio com os seus formosos corpos e desplante fresco e provocador. Entrei no Casa Grande. Sentei-me num banco e pedi um duplo. Fica na esquina de Águila e San José, quer dizer, rodeado de fogo ao rubro. Gosto deste bairro, atrás do Capitólio. É uma caldeira infernal de azeite a ferver. Mas não queria envolver-me. Limitei-me a beber e a olhar para as mulheres que passavam pelo passeio. Às sete menos cinco, levantei-me e fui à minha primeira reunião dos A.A. Ia esperançado. E curioso. Não fazia a menor ideia de como seria. Detive-me a uns metros da porta. Olhei lá para dentro. Desde a rua. E não pensei. Simplesmente não pensei.

Voltei ao Casa Grande. Pedi um duplo e um tabaco. O terrível é a incerteza. É tão mortífera como um balázio nas têmporas."

(In: Zona diabólica)

“Eu olhava as mulheres e pensava que não existe a mulher ideal. Não existe nada ideal. Tudo o que um dia aspirou a ser ideal foi esmagado pelo espírito da época: vertigem, caos, dinheiro, e confusão. Merda, porra!”

(In: Nada Heróico)

“Passaram-se vinte anos. Daqui olho aquela etapa da minha vida e me assombro de ver como é fácil alcançar e manter um altíssimo nível de estupidez. Não tenho mais remédio: agora sou um punhado de dúvidas e incertezas de todo o tipo. Ás vezes, acumulam-se tantas que chego á perplexidade absoluta.”

(In: Um bom time)

“Minha mãe dormia no sofá da sala (...) Toma comprimidos três vezes por dia: quando acorda, ao meio-dia e antes de deitar. Toma uma grande quantidade de estimulantes, tranqüilizantes e equilibrantes. Tem uma gaveta com todos os comprimidos bem classificados e arrumados, como se fossem uma coleção de selos e correio.”

(In: Alguma coisa que me faça pular)

“Eu seria capaz de transformá-la em uma pecadora brilhante. Acho que não tinha espírito aventureiro e preferiu voltar para o curral de suas filhas, seu marido chato, suas aulas na universidade, suas missas aos domingos de manhã, sua casa luxuosa e o resto de suas propriedades. Agora penso que ela fez bem. São uns poucos eleitos conseguem viver fora do curral. E é muito difícil encontra-los.”

(In: Uns poucos eleitos)

© Pedro Juan Gutiérrez

   Trechos do livro O insaciável homem-aranha
manunegra  1720
02-06-2009 08:44 PM ET (US)
Animal tropical (Fragmento)
   
 Animal tropical (Trecho do Livro)
Pedro Juan Gutiérrez

I. A SERPENTE DE FOGO

1.

Uma universidade sueca queria me convidar para uns seminários de literatura que realizam toda primavera. Os seminários não me interessam, e muito menos os estudos de literatura, mas eu podia aproveitar a chance e conhecer a Suécia com tudo pago. Por algum motivo que agora não quero lembrar - creio que a social-democracia sueca desagradava às pessoas que tinham de autorizar minha viagem -, não pude dar o passeiozinho escandinavo. Então comecei a trocar telefonemas e correspondência com Agneta, a coordenadora daqueles cursos. Cada vez era mais cálido com ela. Ficamos um ano nesse joguinho. Mandei alguns poemas meus. Depois ela comprou pelo correio a Trilogia suja de Havana. Mandaram para ela de Barcelona. Quando começou a ler esses contos, passou a me telefonar todo dia, transtornada. Gaguejava no telefone e a coisa toda começou a adquirir um tom muito mais íntimo.

   Por uma conjunção de caminhos que se entrecruzaram muito bem, passei o Natal de 1998 nos Alpes. Fiquei com uma amiga fotógrafa em um chalé de madeira no meio das montanhas, coisa que pode parecer invenção de romancinho barato. Mas não. Foi exatamente assim. Uma tarde nublada, cinzenta e com vento, bebi uns uísques enquanto minha amiga tirava fotos de mim. O álcool me subiu à cabeça e comecei a tirar a roupa. É sempre assim: quando alguém olha para mim pelado, me sobe o pau. E mais ainda na frente de uma câmera. Claro. As fotos ficaram muito boas: eu na neve, completamente nu, com a vara tesa. Minha amiga tirou cópias em sépia e fiquei realmente tão juvenil, com o ego tão ereto e atraente, que não resisti e mandei uma das fotos para Agneta como presente de Natal.

   Sou um sedutor. Eu sei. Assim como existem os alcoólicos irrecuperáveis, os jogadores, os viciados em cafeína, em nicotina, em maconha, os cleptomaníacos etcétera, sou viciado em sedução. Às vezes o anjinho que tenho dentro de mim tenta me controlar e diz assim: "Não seja tão filho-da-puta, Pedrito. Não percebe que está fazendo essas mulheres sofrerem?". Mas aí aparece o diabinho e o contradiz: "Vá em frente. Elas ficam felizes assim, nem que seja só por um tempo. E você também fica feliz. Não se sinta culpado".

   É um vício. Sei que a sedução é um vício igual a outro qualquer. E não existe nenhum Sedutores Anônimos. Se existisse, talvez pudessem fazer algo por mim. Se bem que não tenho certeza. Seguramente eu inventaria pretextos para não comparecer a suas sessões e ter de ficar lá na caradura na frente de todo mundo, botar a mão na Bíblia e dizer serenamente: "Meu nome é Pedro Juan. Sou um sedutor. E faz hoje vinte e sete dias que não seduzo ninguém".

   Em março, já estava de volta a Havana. Muito tranqüilo. Pintando. Experimentando uns materiais de reciclagem. Quero dizer, o lixo que pegava nas esquinas. Tinha muito material à minha disposição. De tarde, bebia rum, fumava meus charutos, seduzia alguma negra, alguma mulata. Adoro as negras. Não vou dizer que os negros são uma raça superior porque isso seria fascismo invertido, mas estou convencido de que é preciso se misturar mais. Provocar a mestiçagem. Fabricar mais mulatas e mulatos. A mestiçagem salva. Por isso gosto das negras. Bom, não exatamente por isso, quando a gente trepa não fica pensando na salvação de ninguém, porra nenhuma. Mas tenho um par de filhas mulatas encantadoras que corroboram essa idéia.

   Enfim, já em março Agneta estava organizando para mim, lá de Estocolmo, outra viagem à Suécia. Ela é de uma eficácia perfeita, mas eu sentia que estava um pouco alterada. Os poemas, os contos da Trilogia e a foto de mim pelado no meio da neve alpina haviam transtornado os seus ritmos neurais. Me telefonava quase todo dia e me dizia coisas assim: "Não consegui dormir esta noite. Você está me perturbando. É verdade tudo o que você escreve?".

   E eu respondia: "É. Tenho pouca imaginação".

   E ela: "Ahh, você vem na primavera, Pedro Juan? Está tudo pronto. Vem?".

© Pedro Juan Gutiérrez

   Animal tropical foi publicado em Brasil e Portugal
manunegra  1719
02-06-2009 08:43 PM ET (US)
Trilogía sucia de La Habana (cuento)
   
 Pegar o touro pelos chifres (história)
Pedro Juan Gutiérrez

   Estou leve demais para chorar. Não tenho desejos, ou não consigo rezar, nem agradecer. Nunca peço nada a Deus. Só agradeço. Tenho sempre muita coisa para agradecer, mas agora não. Estou transparente, vazio como o ar. Levantei-me e segui pela Carlos III Unter der Linden. Era uma boa hora. O entardecer. O crepúsculo e as árvores. A hora das libações, como dizia a mulher mais bonita que tive na vida. Neste horário o marido dela estava libando em algum bar e só voltava depois das dez da noite. E eu aproveitava para fazer pequenas orgias de duas ou três horas com ela, que afinal terminavam com todos libando juntos, a partir das dez, como bons amigos ao fim e ao cabo. Tenho a impressão de que ele desconfiava de alguma coisa, mas isso já é outra história. Desde então, o crepúsculo sempre foi terrível para mim.

   Nada de libações, Pedra ]uan, disse para mim mesmo. Aí me dei conta de que eu era um mendigo de merda. Um pedinte asqueraso. Sujo, com barba de dois dias. Estava sem sapatos e sem camisa, andando ainda meio bêbado, quase inconsciente. Podia pedir esmola e comprar alguma coisa de comer. Depois resolvia que droga ia fazer para voltar para o meu quarto e agarrar a Cusa pelo pescoço e acabar com a raça dela. Por que você me deixou ali caído, sua filha da puta? , haveria de perguntar-Ihe, só que entre bofetões. Gosto de dar uns bons sopapos nas mulheres, quando elas merecem. E vou comer a Cusa desse jeito. Dando bofetões na cara dela. Bem ardidos, bem doídos, vou encher a cara dela de bolacha e quando meu pau ficar duro, meto nela. Ahh, que bom. E a velha vai dizer: "Pare de me bater, mas ponha tudo, até o talo, papi gostoso. Pare de me bater, porra!". E na hora começa a ter orgasmos e a gritar e a ofegar com cada jato de porra. Ah, como Vou gozar com aquela velha peituda.

   Estendi a mão e comecei a pedir a todos os que passavam por mim. Mal balbuciava alguma coisa. Para pedir esmolas não Se pode falar com clareza, nem argumentar, nem nada. Você é um animal miserável, um micróbio pedindo umas moedas pelo amor de Deus. Um pesteado.

   Assim foi desde que o mundo é mundo. É toda uma arte pedir esmola e aparentar imbecilidade, cretinismo, embriaguez crônica, burrice. Só um imbecil pede esmola. Se o cara está um pouquinho acima da imbecilidade é porque pode fazer alguma outra coisa. Assim é. É preciso fazer cara de imbecil para convencer. Mas nem assim. Ninguém me deu nada! Andei muitos quarteirões Carlos III abaixo. Lentamente. Esfarrapado. Sem rumo. Com cara de louco ou de imbecil, estendendo as mãos abertas diante de todos e balbuciando. Ninguém me deu nem uma moeda! Que horror! Nada. Naquela noite eu podia ter morrido de fome. Percorri toda a Carlos III. Duas ou três horas. Não sei quanto tempo. Pedindo pelo amor de Deus. E todos viravam a cara. Olhavam para outro lado. Ou fingiam que eu era um fantasma. Eu nunca tinha pedido esmola antes. Mas é terrível pedir esmola quando as pessoas são tão miseráveis. Estão todos no fundo do poço e detestam quando outro vem se queixar. Muitos me disseram: "Não enche o saco, velho, que eu até gostaria que alguém me desse esmola".

   Assim que nem um centavo. Em compensação, recuperei a lucidez. Tinha de voltar para minha casa. Por que estava retardando a hora de voltar para casa? Não queria aparecer lá arrebentado, quase desmaiado. Os vizinhos são fofoqueiros. Hoje eu entendo.A razão é essa. Um pouco mais lúcido, falei para mim mesmo: "Volte para casa, Pedro Juan, tente chegar. Já está escuro, ninguém vai ver você". Pelo jeito desconectei o piloto automático e assumi de novo o comando.

   Nesse momento, vejo que estou na frente da casa de Zulema. Ah, ela sim, vai me ajudar. Atravessei a avenida. Subi as escadas. Na última vez em que falei com ela, ela estava tristíssima porque o sobrinho havia voltado para a Suécia e ela botara o marinheiro bêbado para fora de casa. É uma bela de uma filha da puta, mas agora pelo menos eu ia poder comer alguma coisa, ia arranjar uma camisa e um par de sapatos. Zulema vivia num quarto de quatro metros por quatro. Um quartinho de merda, igual ao meu, onde tivemos bons encontros de noites inteiras. Ela é insaciável. No meu quarto aproveitamos mais, porque entre um e outro round tínhamos o mar à nossa frente. Seu quartinho, porém, só tem uma janela de merda que dá para o corredor do andar, onde os outros vizinhos gritam, se agridem, e a merda dos cachorros fede. Nada mais. A única esperança dela era que Carlos Manuel a levasse para Miami. Carlos Manuel foi o homem de sua vida durante muitos anos. Casaram-se. Tiveram um filho, e Carlos Manuel tentou sair clandestinamente do país. A guarda fronteiriça o pegou. Ele podia ter pegado dois ou três anos de prisão, mas o sujeito é desbocado e largou uns quantos desaforos contra o governo e o comunismo. Não muitos.Na verdade não disse quase nada, proporcionalmente os que estava pensando. Mas pegou mal. O advogado nem abriu a boca para defendê-Io. Recebeu uma pena de dez anos de prisão. Cumpriu e, quando saiu, arrumou os papéis e se picou. Não podia morar em Cuba. A família de Zulema não deixou ela ir junto. A mãe ficou um ano em estado de choque em cima de uma cama. Agora o sujeito se apaixona de novo por Zulema e quer buscá-Ia, legalmente. Com todos os papéis em ordem. O filho dele, que já tem vinte anos, Zulema, e uma filha que ela teve depois, com outro de seus maridos.

   Subi como pude até o terceiro andar. Bati na casa dela. Ela abre e quando me vê arregala os olhos como se estivesse vendo um morto. Vai me bater a porta na cara. Não deixo.

   - Zulema, espere! Espere, por favor, que sou eu e estou morrendo.

   Ela continua forcejando para fechar a porta. Não disse nada. não abre a boca. Só tenta fechar a porta. A cara é de terror.

   De repente, a porta se abre violentamente e aparece um sujeito imenso. Parece um orangotango. É um mulato gordo e forte, de bigodão preto ao redor da boca. O sujeito está furioso.

   - Que porra está acontecendo aqui? Que porra está acontecendo aqui? Quem é esse sujeito tão asqueroso, menina?

   - Não sei! Não conheço! - Zulema diz.

   - Zulema! Como, não me conhece?

   - Conhece ou não conhece? - pergunta o orangotango.

   - Ai, não, Pipo, isso aí é um ladrão! Não conheço! Não sei quem é!

   - Olhe aqui, sua filha da puta, não se faça de doi...!

   O cara não me deixa terminar.

   - Como é que você chama a minha mulher de filha da puta,rapaz. Ficou maluco?

   Ele me agarra e começa a me socar como se eu fosse uma punching bag. Nem sei descrever. Não consigo, porque só de lembrar, vomito. Em vez de punhos de carne e osso, tinha chumbo. Bolas de aço. Me esquartejou os ossos, me jogou escada abaixo, e os dois fecharam a porta.

   Começaram a ecoar os cantos gregorianos. Ave Maria. Aleluia. Fiquei inconsciente não sei quanto tempo.

   Acordei numa cama do pronto-socorro. Com o maxilar, o braço esquerdo, a clavícula e várias costelas quebrados. Diz a enfermeira que me operaram o baço. Parece que além disso estou com o fígado e os rins corroídos, e que isso é irreversível. Todos os médicos me perguntam se bebi álcool de madeira ou ácido sulfúrico.

   Bom, não sei de nada. Podia ser pior. Estou imobilizado. Há dois ou três tubos despejando líquido nas minhas veias. Uma das enfermeiras me agrada muito, mas com esta barba grisalha pareço um velho de merda. Um velho pedinte abandonado por Deus nesta esquina do mundo. E a enfermeira me trata com carinho de mamãezinha. Elas gostam disso. Todas as enfermeiras são iguais. Adoram tratar os pacientes como se fossem bobos ou anormais ou um filho pequeno e desvalido. Ai, me dão raiva. Bom, aqui terei tempo para pensar. Zulema uma vez me disse que sua vida tinha sido muito porca. Parece que continua igual. Terei tempo para pensar um pouco nisso. Por que uma mulher bonita e agradável se atira a uma vida porca e não consegue mais parar, mesmo sabendo que todo dia se revolve no lodo e na merda? A miséria torce as pessoas.

   Mas o importante é que tenho de me recuperar e agarrar o touro pelos chifres. Daí vou dar umas boas porradas no tal de Pipo. Vou esperar por ele na escada e moer de porrada. Nunca mais ele vai ficar de pau duro, porque vou esmagar os bagos dele.

© Pedro Juan Gutiérrez

   Pegar o touro pelos chifres é uma história que é incluída no livro Trilogia suja de Havana
manunegra  1718
02-06-2009 08:41 PM ET (US)
El Rey de La Habana (Fragmento)
   
 O Rei de Havana (trecho do livro)
Pedro Juan Gutiérrez

   Aquele pedaço de cobertura era o mais porco do edifício inteiro. Quando começou a crise de 1990, ela perdeu o emprego de faxineira. Então fez como muita gente: arranjou galinhas, um porco e umas pombas. Construiu uma gaiola de tábuas podres, pedaços de lata, sobras de barras de aço, arames. Comiam alguns e vendiam outros. Sobrevivia no meio da merda e do fedor dos bichos. Às vezes, o edifício chegava a não ter água durante vários dias. Então, vociferava com os meninos, acordava os dois de madrugada, e com tapas e empurrões os obrigava a descer os quatro andares e subir pela escada uns tantos baldes, tirados de um poço que inacreditavelmente existia na esquina, coberto com uma tampa de esgoto.

   Os meninos tinham então nove e dez anos. Reynaldo, o menor, era tranqüilo e silencioso. Nelson, mais fogoso, se rebelava sempre e às vezes gritava com ela, enfurecido:

   - Não grite mais comigo, porra! O que é que você quer?

   Ela era manca da perna direita e um pouco limítrofe ou tonta. Não era boa da cabeça. Desde menina. Talvez de nascença. Sua mãe vivia junto com eles. Tinha uns cem anos, ou mais, ninguém sabia. Todos num quarto em ruínas de três por quatro, e um pedaço de pátio ao ar livre. A velha não tomava banho fazia anos. Muito magra de tanta fome. Uma longa vida de fome e miséria permanente. Já estava cascuda. Não falava. Parecia uma múmia silenciosa, esquelética, coberta de sujeira. Mexia-se pouco ou nada. Sem falar jamais. Só olhava a filha meio tonta e os dois netos que se estapeavam e se ofendiam mutuamente em meio ao cacarejar das galinhas e ao latir dos cachorros. "Esses aí são loucos", diziam os vizinhos. E ninguém intervinha naquelas brigas contínuas.

   Às vezes, acendia um cigarro e se recostava na varanda da cobertura, olhando a rua, pensando em Adalberto. Quando jovem, teve dezenas de homens. Gostava de excitá-los. De qualquer idade. Alguns lhe diziam: "Olha, boba, venha aqui e me dê uma chupadinha. Dou dois pesos se me der uma chupada", e lá ia ela: chupar. Alguns lhe davam dinheiro. Outros não. Soltavam a porra e diziam: "Espere aqui, não saia daqui que eu já volto", e sumiam. Com Adalberto foi diferente. Os meninos são dele, mas o desgraçado nunca quis viver com eles ali na cobertura, e quando viu que estava grávida pela segunda vez, desapareceu para sempre. Agora já está meio velhusca, songa, fedendo demais, manca de uma perna, morrendo de fome. Pensava lá consigo mesma e concluía: "Quem, porra, vai chegar perto de mim? Se o que eu tenho é vontade de morrer". Pensava assim e se enfurecia consigo mesma. Jogava o cigarro na rua e, desesperada, gritava com os meninos:

   - Rey, Nelson, vão buscar água lá embaaaaixo! Caralho, vão buscar águaaaaa!

   Os meninos obedeciam. Contra a vontade, mas obedeciam. Pelo menos já não prendia mais os dois no armário escuro e pequeno durante dias. Desde muito pequenos, até completarem sete anos, enfiava os dois naquele lugar úmido, cheio de encanamentos e baratas. Sem razão. Só para tirar da sua frente. Os meninos ficavam apavorados porque quando entravam na prisão podiam passar um, dois ou até três dias sem comer, lambendo a umidade dos canos. Outras vezes, atirava-os dentro de um tanque de água, de repente, gritando para se calarem e não encherem mais. De susto, os meninos se calavam. Às vezes, os afundava na água e não os tirava até que, meio asfixiados, esperneavam, desesperados. Agora, maiores e mais fortes, rebelavam-se e impediam aqueles castigos. Viviam soltos, embora fossem às vezes à escola, na esquina da San Lázaro com a Belascoaín. Mais para fugir dela do que para aprender. Os professores ensinavam pouco porque os alunos eram rebotalho. As menininhas de treze anos já estavam trepando a pleno vapor com os turistas do Malecón. Os meninos, metidos com maconha e fazendo uns negocinhos, para ganhar algum todo dia. Os pais e mães se satisfaziam com sua ausência. Ninguém estava interessado em aprender matemática, nem coisas complicadas e inúteis. E os professores não conseguiam mais dominar aquelas ferinhas. Enfim, Nelson e Rey iam à escola três ou quatro dias e o resto da semana se distraíam na cobertura, com os pombos e os cachorros. Tinham cinco cachorros recolhidos da rua.

   Muitas vezes, a única comida do dia inteiro era um pedaço de pão e uma jarra de água com açúcar, mas mesmo assim os dois cresceram. Descobriram que as pombas dos outros vinham pousar ali na cobertura deles, e que não era difícil caçá-las vivas. Então, inventaram uma armadilha: um pombo bonito, macho e sedutor, que voava por cima de todos os edifícios. Sempre aparecia alguma pombinha incauta, admiradora daquele belo galã. E lá ia ela. Voava atrás dele e o pombo a conduzia até sua gaiola para lhe fazer amor à vontade. E aí: zás. Rey e Nelson fechavam a porta da gaiola. No mercado de Cuatro Caminos pagavam quarenta ou cinqüenta pesos pela pomba. Até cem pesos, se fosse branca. Com a crise e a fome e a loucura de ir embora do país, todo mundo fazia trabalhos de candomblé, e as pombas, cabritos e galos alcançavam bom preço. As galinhas pretas também, que são muito boas para limpeza e abrir caminhos. Quando os meninos vendiam uma pomba a coisa melhorava: comiam umas pizzas e tomavam uma vitamina de frutas. Levavam pizzas para a mãe e para a avó.

   Mesmo assim, ela continuava gritando sempre com eles, como uma louca. Vociferando, humilhando-os. Os dois já tinham pentelhos na pélvis e no cu, o pau já havia crescido e engrossado, tinham pêlos nas axilas e aquele cheiro de suor forte dos homens, e a voz um pouco mais rouca e grossa. Se masturbavam, escondidos no meio das gaiolas dos frangos, olhando a menina vizinha da cobertura ao lado. Na realidade, era a mesma cobertura do edifício, mas anos antes alguém a dividira ao meio com um muro baixo, de menos de um metro. Essa era a fronteira com os vizinhos: uma velha gorda e peituda com uma filha de uns vinte anos e muitos outros filhos que viviam por ali e jamais se lembravam de que ela era mãe deles. A menina era gostosa demais: mulata magra, linda, putinha. Só saía de noite, elegante, provocante, e voltava de madrugada. Durante o dia, andava pelo seu pedaço de cobertura com um short curtinho e justo e uma blusinha mínima, sem sutiã, com os bicos dos peitos bem marcados, e ahhh. Uma tentação. Reynaldo tinha já treze anos e Nelson catorze. Tinham largado a escola fazia tempo. Não agüentavam mais continuar sempre na sétima série. Repetiram três vezes a mesma série, até que desistiram.

   Consideravam-se homens. Continuavam com o negócio das pombas. Cada dia eram melhores roubando pombas e todo dia vendiam uma ou duas. Era um bom negócio. Eram homens e já sustentavam todos em casa. Mas a mãe continuava estúpida como sempre. Odiavam aquelas explosões e aqueles pitos na frente de todo mundo. Se sentiam humilhados e respondiam:

   - Não seja besta! Cale a boca, porra, cale a boca!

   A cobertura cada dia ficava mais porca, fedendo mais a merda de animais. A avó quase não se mexia. Sentava-se num caixote meio podre, ou em qualquer canto. E ficava horas debaixo do sol. Tinham de enfiá-la no quarto e deitá-la. Parecia uma morta-viva. Tinham também de controlar a mãe, porque a cada dia ficava mais maluca. Já nem conseguia mais descer a escada. Eles a empurravam e gritavam para que se calasse, mas ela berrava mais ainda, pegava um pedaço de pau e mandava em cima deles, tentando defender seu território. Eles arrancavam o pau da mão dela e a controlavam com uns bofetões na cara. Ela chorava de raiva, gritando, soluçava, acendia um cigarro no beiral da cobertura, olhando os carros, as bicicletas e as pessoas que passavam por San Lázaro. Já nem se lembrava de Adalberto.

   Uma manhã, por volta da onze, estava fumando e olhando a rua. Nelson tinha lhe dado um bofetão duro na boca, e estava com o lábio superior inchado e cortado por dentro. Passava a língua e sentia o gosto ferroso do sangue. Estava furiosa. Jogou a bituca na rua, deu uma cuspida meio sanguinolenta, querendo que caísse na cabeça de alguém, e se virou para entrar no quarto. O sol estava forte demais e lhe doía a cabeça. Os meninos, escondidos atrás do galinheiro, espiavam a putinha da vizinha. Os dois de olhos entrecerrados, sonhadores, mexendo ritmicamente no pau. A mulatinha estava meio nua, estendendo uma toalha e uma calcinha vermelha, de renda. Gostava que os meninos se masturbassem olhando para ela. A toalha pingava água e ela torcia e se molhava para se refrescar, debaixo do sol. Na verdade, gostaria de vê-los de corpo inteiro, frenéticos na frente dela, batendo a sua punheta, mas ainda eram meninos demais para se atrever a tanto. Quando crescessem um pouco mais seriam bons "atiradores" e exibiriam os paus nos portões do Malecón para todas que quisessem ver. Por ora, faziam escondido.

   Quando ela viu aquele espetáculo, ficou ainda mais queimada. Empinou de raiva:
- Vão batendo punheta! Vão batendo punheta! Descarados, vão acabar morrendo, fora daí! Os dois! Fora daí!

   Pegou um pau para bater neles, mas logo se virou para a vizinha provocante:

   - E você, puta de merda, faz isso só pra foder, porque é uma puta. Não provoque mais, senão eles acabam morrendo. Sem comer e tocando punheta o dia inteiro! Vai matar eles, droga de puta! Vai matar eles!

   - Escura aqui, tonta, não me amole, eu estou na minha casa e faço o que eu bem entendo.

   - Você é uma bela de uma puta.

   - Sou, mas com a minha boceta. E vivo vinte vezes melhor que você, que é tonta e imunda. Sua porca!

   Os cachorros começaram a latir e as galinhas também se alvoroçaram. No meio de tanto barulho e tanta loucura, ela tenta saltar o pequeno muro que separa as coberturas, com o pau na mão, querendo bater na vizinhinha, mas Nelson já está em cima dela e lhe tira o pau da mão. Furiosa, tenta passar de qualquer jeito para o pátio vizinho, gritando:

   - Você é uma puta! E você um punheteiro! Tira a mão de cima de mim. Me solta, punheteiro de merda.

   - Não me xingue mais, porra, não me xingue mais!

   Nelson está fora de si, descontrolado. É um homem de catorze anos, e lhe dói aquela humilhação. E ainda por cima, as gargalhadas gozadoras da vizinhinha, que agora provoca ainda mais:

   - Vai, punheteiro, descarado, vai ficar maluco com tanta punheta! Vai arrumar uma mulher.

   E dá a volta e entra em casa, muito tranqüila, requebrando a bunda para um lado e outro. No meio da briga, a gozação da putinha o machuca ainda mais. Dá um forte empurrão na mãe e a joga de costas contra o galinheiro. De um canto da gaiola, projeta-se uma ponta de cabo de aço que se crava em sua nuca até o cérebro. A mulher nem grita. Abre os olhos com horror, leva as mãos ao ponto onde entrou o aço. E morre apavorada. Em segundos, forma-se uma poça de sangue grosso e de líquidos viscosos. Ela morre com os olhos abertos, horrorizada. Nelson vê aquilo e de repente desaparece o ódio que sente pela mãe. É inundado de dor e de pânico.

   - Ai, minha mãe! O que foi que eu fiz, o que foi isso?

   Agarra a mãe, tentando levantá-la, mas não consegue. Está espetada pela nuca na ponta do cabo de aço.

   - Eu matei ela, matei ela!

   Gritando como um louco, sai correndo pelo beiral da cobertura e se atira na rua. Não sente o estrépito do seu crânio ao se arrebentar no asfalto quatro andares abaixo. Morreu igual à mãe, com uma expressão veemente de crispação e de terror.

   A avozinha viu aquilo tudo sem se mexer de seu lugar, sentada num caixote de madeira podre. Sem fazer nem um gesto, fechou os olhos. Não podia viver mais. Já era demais. O coração dela parou. Caiu para trás e ficou recostada na parede, impávida como uma múmia.

   Rey não havia saído de seu esconderijo atrás do galinheiro. Foi tudo rapidíssimo e ainda estava com o pinto duro feito um pau. Guardou-o como pode e colocou-o entre as coxas para prendê-lo e não fazer volume, até baixar sozinho. Ficou sem fala. Foi até o beiral da cobertura e olhou. Lá estava seu irmão, estatelado no meio da rua, rodeado de gente, de policiais, o tráfego parado de um lado e outro da San Lázaro.

   Num instante os policiais chegaram na cobertura. Vinham belicosos:

   - O que aconteceu aqui?

   Rey não conseguiu responder. Encolheu os ombros e se pôs a sorrir para os policiais. Os sujeitos ficaram boquiabertos:

   - E você ainda ri? O que foi que você fez? Vamos lá, diga aí. O que foi que você fez?
Riu de novo, tinha a mente em branco, mas afinal conseguiu dizer:

   - Nada, nada. Eu não sei.

   - Como não sabe? O você fez?

   - Nada. Eu não sei.

   Foi algemado. Levado pela escada. Empurrado para dentro da radiopatrulha até a delegacia de polícia, a umas quadras dali. Foi preso numa cela, no porão, junto com três delinqüentes. E ali ficou. Sem pensar em nada, modorrento.

   Os técnicos de criminalística demoraram três horas para chegar a San Lázaro. Trabalharam escrupulosamente a tarde toda. Levantaram o cadáver de Nelson às cinco horas e o levaram para o necrotério, junto com o da avó. Com ela demoraram um pouco mais. Já era de noite quando resolveram desenganchá-la do cabo de aço e mandá-la para o necrotério. Era evidente que alguém havia empurrado violentamente o rapaz da cobertura e a mulher, de costas, contra o galinheiro. A velhinha morreu de uma parada cardíaca, sem violência. Só que não havia testemunhas. Ninguém viu nada. É sempre a mesma coisa nesse bairro. Ninguém vê nada. Jamais uma testemunha.

(...)

   Regressou lentamente. Não tinha pressa. Gostava de andar de madrugada, de vagabundear sem rumo. Era melhor esquecer o cemitério. Além disso, era trabalho demais por vinte pesos. Chegou muito cedo ao edifício. Subiu a escada. Bateu na porta de Magda. Ela abriu, sonolenta.

   -Ah, até que enfim você apareceu.

   -O mesmo digo eu.

   Magda se atirou na enxerga de novo. E ele ao lado dela. Dormiram no mesmo instante. Quando acordaram passava do meio dia. Como sempre, ele acordou com uma ereção fenomenal. Magda estendeu a mão. Apalpou, ainda meio adormecida. Apertou. Ele pôs a mão no sexo dela. E sem abrir os olhos se acariciaram. Ele chegou mais perto. Essa era Magda. Com cheiro de sujeira, igual a ele. Lambeu seu pescoço. Cheirou suas axilas fétidas. Isso o excitava muito. Subiu em cima dela, penetrou-a, e se sentiu muito bem. Realmente bem. Seria amor? Não se lembrou da bebadinha da noite anterior. Nem de Sandra. Treparam com profundidade, quer dizer, sentindo o que faziam. Depois do primeiro orgasmo, continuaram, ficaram um pouco mais frenéticos. Ah, que bom.

   - Gosta de mim, titi?

   - Gosto, papito, como gosto...como me sinto bem com você.

   Os dois corpos unidos se comunicavam aos sussurros, com pequenas frases de amor. Se acariciavam, se desejavam com cada pedacinho dos sentidos. Depois, quando esfriava a sensualidade, dava pena sentir tanto amor. A sutileza do amor é um luxo. Desfrutá-lo é um excesso impróprio dos estóicos.

   Levantaram-se da enxerga às três da tarde. Magda lhe ofereceu rum. Restava um pouco numa garrafa.

   - Não. Estou com fome.

   - Nem comida, nem café, nem cigarro. Não tem nada. Rum e mais nada.

   - Você é um desastre.

   - Você é mais desastre que eu, Rey. Se eu não arrumo grana, a gente morre de fome.

   - Bom, vá, se manda. Arrume algum.

   - Espere um pouco, chino, tenho um dinheirinho aqui.

   - Dos velhos?

   - De qualquer coisa, neném. Não comece com essa encheção. Já disse cinquënta vezes que os velhos dão mais dinheiro que o amendoim. Vamos pra rua, procurar alguma coisa pra comer.

   - Não. Eu fico. Você traz. E não demore.

   - Você é o maior mimado do mundo. Rei de Havana não. O Mimado de Havana!

© Pedro Juan Gutiérrez

   Trecho do livro de O Rei de Havana
manunegra  1717
01-25-2009 07:42 AM ET (US)
Ex-guerrilheiro acusa Fidel de trair Che a mando de Moscou

44 minutos atrás

Roma, 25 jan (EFE).- O ex-guerrilheiro cubano Daniel Alarcón Ramírez, conhecido como "Benigno", acusou o ex-presidente de Cuba Fidel Castro de "trair" Ernesto Che Guevara a mando de Moscou, que considerava o guerrilheiro "muito perigoso para suas estratégias imperialistas".
PUBLICIDADE

Em declarações publicadas hoje pelo jornal italiano "Corriere della Sera", Alarcón Ramírez afirma que a morte de Che foi fruto de "uma conspiração", da qual são "responsáveis Fidel Castro e a União Soviética".

"Benigno" é um dos três guerrilheiros que, depois da morte de Che Guevara, em 8 de outubro de 1967, na Bolívia, conseguiu escapar das tropas desse país e chegar ao Chile.

"Os soviéticos consideravam Che Guevara uma personalidade perigosa para suas estratégias imperialistas, e Fidel se dobrou por razões de Estado, visto que a sobrevivência de Cuba dependia das ajudas de Moscou. E eliminou um companheiro de luta incômodo. Che era o líder mais amado do povo", afirma o ex-guerrilheiro na entrevista.

Alarcón Ramírez conta que ele e seu grupo queriam exportar a revolução, mas que foram abandonados na selva boliviana.

"Che foi ao encontro da morte sabendo que tinha sido traído", diz "Benigno", que aos 17 anos entrou no grupo do comandante Camilo Cienfuegos depois que os soldados do ditador Fulgencio Batista incendiaram sua propriedade em Sierra Maestra e mataram sua mulher, Noemi, de 15 anos, grávida de oito meses.

Sobre Che Guevara, o ex-guerrilheiro lembra que ele o "ensinou tudo" sobre o socialismo.

"Não era fácil conseguir sua confiança, mas era um homem honrado e bom. Era o único entre os líderes que pagava de seu bolso o carro de serviço", recorda "Benigno", que vive em Paris.

Com quase 70 anos, ele diz que Cienfuegos e Che "ofuscavam Fidel" e que havia diferenças no grupo dirigente.

"Cienfuegos morreu em um misterioso acidente e eu estava com Che no Congo quando Fidel fez pública uma carta na qual Ernesto renunciava a qualquer posto e à nacionalidade cubana. Che começou a bater no rádio enquanto gritava: 'Olha até onde leva o culto à personalidade'", relata.

Quando os dois voltaram para Havana, Fidel sugeriu que fossem combater na Bolívia, após garantir a eles o apoio dos comunistas, a cobertura de agentes secretos e a formação de novas colunas.

Porém, "descobrimos que o Partido Comunista boliviano não nos apoiava talvez por ordem de Moscou", conta "Benigno" ao "Corriere della Sera".

Che Guevara foi detido e assassinado um dia depois, enquanto "Benigno" e os companheiros "Urbano" e "Pombo" se salvaram "com a ajuda de Salvador Allende, presidente do Senado chileno, e chegaram até o Chile".

A partir de então, Benigno começou a se desiludir, sobretudo depois que viu "Urbano" ser detido e "Pombo", nomeado general.

"Comecei uma vida dupla" que durou, assegura, até sua fuga para a França, em 1996. EFE
Ana Candida Echevenguá  1716
01-24-2009 09:02 AM ET (US)
A água [que ninguém vê] na guerra. Por Ana Candida Echevenguá*
 

BRASIL: “Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, ''há uma realidade histórica de guerras pela água'' - tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias”. Raymond Dwek - The Guardian, [24/NOV/2002] *

A nossa sobrevivência na Terra está ameaçada. Sem alimento, o ser humano resiste até 40 dias; sem água, morre em 3 dias. Somos água! Mas, enquanto a população se multiplica e a poluição recrudesce, as fontes de água desaparecem.

Na guerra do momento – Israel em Gaza -, por que a mídia sensacionalista não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio?

Oriente Médio... uma região aonde água vale mais do que petróleo... E sempre nos passam a idéia de que lá as guerras ocorrem pela conquista das reservas de petróleo.

E a conquista das reservas de água? Em 1997, o então vice-diretor geral da UNESCO, Adnan Badran, no seminário “Águas transfronteiriças: fonte de paz e guerra” [que centrou os debates nas águas do Mar Aral, do rio Jordão, do Nilo...] disse que “a água substituirá o petróleo como principal fonte de conflitos no mundo”.

Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina.

Além de restringir o uso d’água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural. Ali, ele é o “dono” das:

- águas superficiais: bacia do rio Jordão [incluindo o alto Jordão e seus tributários], o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão;

- águas subterrâneas: 2 grandes sistemas de aqüíferos: o aqüífero da Montanha [totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel], aqüífero de Basin e o aqüífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza.

Tais águas são ‘transfronteiriças’, são recursos naturais compartilhados. Segundo recente inventário da UNESCO, 96% das reservas de água doce mundiais estão em aqüíferos subterrâneos, compartilhados por pelo menos dois países.

Há regras internacionais para o uso dessas águas. Algumas destas obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos.

Mas Israel não compartilha a água; afinal, tais regras internacionais não prevêem mecanismos de coação ou coerção; é letra morta. O Tribunal Internacional de Justiça, até hoje, condenou apenas um caso relacionado com águas internacionais.

A estratégia de Israel é outra. Em 1990, o jornal Jerusalém Post publicou que “é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade”**. Palavras do ministro da agricultura israelense sobre a necessidade de Israel controlar o uso dos recursos hídricos da Cisjordânia através da ocupação daquele território.

O Acordo de Paz de Oslo de 1993, por exemplo, estipulou que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região.

Nessa época, segundo o professor da Hebrew University, Haim Gvirtzman, dos 600 milhões de metros cúbicos de água retirados anualmente de fontes na Judéia e Samaria, os israelenses usavam quase 500 milhões, satisfazendo cerca de um terço de suas necessidades hídricas. Para ele, isso gerou um ‘direito adquirido sobre a água’. Questionado sobre o acesso palestino à água, o professor respondeu que “Israel deve somente se preocupar com um padrão mínimo de vida palestino, nada mais, o que significa suprimento de água para eles só para as necessidades urbanas. Isso chega a cerca de cinqüenta/cem milhões de metros cúbicos por ano. Israel é capaz de suportar essa perda. Portanto, não deveríamos permitir que os palestinos desenvolvessem qualquer atividade agrícola, porque tal desenvolvimento virá em prejuízo de Israel. Certamente, nunca permitiremos aos palestinos suprir as necessidades hídricas da Faixa de Gaza por meio do aqüífero montanhoso. Se purificar a água do mar é uma solução realista, então deixemos que o façam para as necessidades dos residentes da Faixa de Gaza”**.

E na Guerra pela Água vale tudo: os israelenses bombardeiam tanques d'água, grandes ou pequenos [muitas vezes construídos nos telhados de suas casas], confiscam as bombas d’água, destroem poços, proíbem que explorem novos poços e novas fontes d’água [a Cisjordânia, em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil]. Israel irriga 50% das terras cultivadas, mas a agricultura na Palestina exige prévia autorização.

Então, furto de água das adutoras de Israel é comum naquela região.

A regra do jogo é esta: enquanto o palestino não tem acesso à água para beber, o israelense acostumou-se ao seu uso irrestrito.

Sendo assim, dá pra imaginar uma outra forma de divisão ou de uso compartilhado desses recursos hídricos para os próximos anos? Dá pra imaginar a sobrevivência de qualquer estado e, nesse caso, da Palestina sem o controle efetivo do acesso e da distribuição dos recursos hídricos que necessita?

Botar a mão na água é coisa antiga. Britânicos e franceses no Oriente Médio definiram as fronteiras [em especial da Palestina] de olho nas águas da bacia do rio Jordão.

Desde 1948, Israel prioriza projetos, inclusive bélicos, para garantir o controle de água na região. Dentre estes:

- a construção do Aqueduto Nacional [National Water Carrier];

- em 1967, anexou os territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia e tomou da Síria as Colinas do Golã, ricos em fontes de água, para controlar os afluentes do Rio Jordão. Sobre esta guerra, Ariel Sharon falou que a idéia surgiu em 1964, quando Israel decidiu controlar o suprimento d’água;

- em 2002, a construção o ‘muro de segurança’ viabilizou o controle israelense da quase totalidade do aqüífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia, que fornece 362 milhões de metros cúbicos de água por ano. Segundo Noam Chomsky, “o Muro já abarcou algumas das terras mais férteis do lado oriental. E, o que é crucial, estende o controle de Israel sobre recursos hídrico críticos, dos quais Israel e seus assentados podem apropriar-se como bem entenderem...”***. Antes do muro, ele já fornecia de da água para os assentamentos israelenses. Com a destruição de 996 quilômetros de tubulação de água, à população palestina do entorno do muro falta água para beber;

- antes de devolver [simbolicamente] a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região. E, até hoje, não há infra-estrutura hídrica nas regiões palestinas.

Quantos falam a respeito disso??? Em 2003, na 3ª Conferência Mundial sobre Água, em Kyoto, Mikhail Gorbachev bateu na tecla dos conflitos mundiais pela água: contabilizou, na época, 21 conflitos armados objetiva apropriação de mais fontes de água; destes, 18 ocorreram em Israel.

Gestão conjunta, consumo igualitário de água, ética e consenso na água – palavras bonitas no papel, nas mesas de negociação, na mídia... Na prática, é utopia.

O que a ONU e os donos do planeta estão esperando para exigir que Israel cumpra as regras internacionais sobre águas mesmo que estas contidas em convenções, acordos, declarações [e outras abobrinhas]...

Quem vai ter coragem de criar regras claras e objetivas para punir a violação dos direitos dos povos e nações à sua soberania sobre seus recursos e riquezas naturais?

* - http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/inte...int20021123004.html

** - Do livro de Noam Chomsky: Novas e Velhas Ordens Mundiais, São Paulo, Ed. Scritta, 1996.

*** -http://www.galizacig.com/actualidade/20040...ilhacao_e_roubo.htm



Ana Candida Echevenguá*, advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente da ong Ambiental Acqua Bios e da Academia Livre das Águas
[Cônsul - Florianópolis-SC] POETA deL MUNDO:
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=5010
manunegra  1715
01-20-2009 07:25 AM ET (US)
manunegra  1714
01-15-2009 08:02 PM ET (US)
Coração mestiço

Pedro Juan Gutiérrez, 58, é o autor cubano mais lido atualmente no Brasil. Ele nasceu em Matanzas. Já fez de tudo na vida. Começou a trabalhar aos 11 anos de idade. Vendeu sorvetes, trabalhou na construção civil, foi jornaleiro, instrutor de natação, soldado, gigolô, cortador de cana-de-açúcar, salva-vidas. Nos anos 1990, durante o chamado período especial em Cuba, passou fome e sobreviveu de pequenos expedientes vendendo bugigangas. Atuou 26 anos no jornalismo e tornou-se escritor. Suas obras mais conhecidas integram o ciclo de Centro Havana, bairro onde vive até hoje: Trilogia suja de Havana, O rei de Havana, Animal tropical, O insaciável homem-aranha e Carne de cão. Seu primeiro livro foi publicado há dez anos, na Espanha.
              
Pedro Juan é pouco publicado em Cuba, onde é quase desconhecido da população, o que contrasta com o sucesso que seus romances alcançam mundo afora. Já foi traduzido em 20 línguas diferentes e publicado em vários países. No Brasil, seu livro mais recente é o Nosso GG em Havana, editado pela Objetiva, um divertido romance policial que contrasta com o estilo acre de seus primeiros livros.
           
Sua escrita é fluente e exuberante, trazendo a linguagem e os hábitos das ruas para suas páginas. Sua narrativa não tem concessões, podendo ser incisiva, irônica, abrupta. Algumas de suas personagens erram sem destino num labirinto de pobreza e violência, onde explodem a luxúria e a sexualidade desbragada, tropical. São anti-heróis, mas não são marginais. Prisioneiros da pobreza, mas que estão longe de naufragarem na desesperança.
         
Pedro Juan teve muitas aventuras, casou-se duas vezes e tem quatro filhos. Hoje vive entre Havana e a Espanha. Além de escritor, é também poeta e artista plástico. Assume-se praticante do budismo e nega-se a falar sobre política.
          
A entrevista que se segue foi concedida por e-mail, diretamente de Havana, depois de recente estada no Brasil, com passagens pelas cidades de Porto Alegre, São Paulo e Salvador, onde participou do Ciclo de Conferências Fronteiras do Pensamento.
             
CULT - O jornalismo foi sua primeira profissão? Como foi a opção pelo jornalismo em sua vida e como a atividade de jornalista dialogou com seu processo de criação literária?
Pedro Juan Gutiérrez - Eu queria estudar arquitetura e trabalhava na construção, em minha cidade natal, Matanzas. Ofereceram-me um trabalho em uma emissora de rádio regional e, ao mesmo tempo, a possibilidade de estudar jornalismo na Universidade de Havana. E o azar me levou a ser jornalista. Porém, me serviu muito bem para o trabalho de escritor.
           
CULT - Você também é um artista plástico. Há complementaridade entre seu processo criativo nas artes plásticas e na literatura? Eles são parecidos ou diferentes?
PJG - A literatura dá muito trabalho e esgota muito porque é um processo de reflexão prolongado para produzir um livro. Entretanto, a pintura para mim é como uma brincadeira de criança que faço sem pensar muito, relaxadamente, pelas tardes, com tranqüilidade.
            
CULT - Onde você expõe seus trabalhos? Já realizou exposições individuais em Cuba ou no exterior?
PJG - Não me interessa fazer exposições nem me ocupar da pintura com seriedade.

CULT - Você descreve seus personagens, ações e ambientes de forma muito crua, sem concessões. Isto lhe traz algum tipo de problema ou desgosto?
PJG - Muitos problemas e desgostos.
               
CULT - Como foi o episódio de sua demissão da revista Bohemia depois do lançamento de Trilogia suja de Havana na Espanha?
PJG - Eu não fui demitido; eles dispensaram meus serviços, sem explicações, em janeiro de 1999, quando regressei da Espanha depois do lançamento de Trilogia suja. Felizmente, a Uneac (Unión de Escritores e Artistas de Cuba) apoiou-me muito neste momento, e continuei escrevendo e publicando meus livros. Tanto que deixar o jornalismo foi uma sorte magnífica porque tenho todo o tempo somente para escrever.
             
CULT - Algum livro ou autor em especial influenciou seu trabalho no início de sua trajetória literária? O que você leu ultimamente?
PJG - Quase todos os narradores norte-americanos do século 20. Desde Sherwood Anderson. Truman Capote foi muito importante; também Tchekhov e os contos de Maupasant.
          
CULT - A edição de julho deste ano da revista da União de Escritores e Artistas de Cuba publicou uma compilação de poemas seus. Quando foi publicado seu primeiro trabalho literário em Cuba? O povo cubano o reconhece como escritor de renome internacional?
PJG - Até agora apenas poucos conhecem meus livros e minha obra. Nada de reconhecimento, que é desnecessário. Você fala do povo. O trabalho de um escritor sempre é para um pequeno grupo de leitores e nada mais. Pouco a pouco meus livros serão publicados em Cuba. Não tenho pressa. Pratico o budismo e isto me faz ganhar serenidade e paciência. E compreensão dos demais e de mim mesmo.
         
CULT - Como você reage às comparações que o aproximam da obra de Bukowsky, de Henry Miller ou de Michel Houellebecq?
PJG - Não tenho nada a ver com eles.
          
CULT - Você vive ainda em Centro Havana? O bairro continua sendo a principal fonte de inspiração para seus livros?
PJG - Vivo ainda nesse bairro, mas já passou seu momento como fonte criadora.
           
CULT - Qual é sua principal motivação para escrever?
PJG - Pensar, indagar dentro de mim mesmo, contar o que se sucede ao meu redor e o que me assombra. A base de tudo é o assombro. Quando algo me surpreende quero compartilhá-lo com os demais.
            
CULT - Você escreve em primeira pessoa. Quanto há de autobiográfico em seus livros? Como é expor a si próprio em seus livros?
PJG - É como fazer um strip-tease. Sinto-me muito bem me desnudando e em que todos me vejam. Gosto de me exibir.
CULT - Recentemente, em conferência em Porto Alegre, você disse que, enquanto editava O rei de Havana, encarnou o personagem, chegando a ir diariamente ao mercado de rua para tentar vender um tubo de pasta de dente. Escrever é um processo doloroso e angustiante para você? Há romances que são mais difíceis de escrever? Você estaria disposto a enfrentar uma experiência semelhante à de O rei de Havana novamente?
PJG - Não. Ficaria louco se tentasse de novo. Ou Trilogia suja. Nem pensar em escrever desse modo. É insano e paranóico. Agora estou muito esgotado. Escrever é sempre um processo doloroso porque a pessoa descobre coisas terríveis e há de ter valor para escrevê-las sem medo das conseqüências posteriores.
           
CULT - Principalmente nos livros ambientados em Centro Havana, a pobreza parece ser seu tema central. De que forma o sexo, a luxúria e a violência se entrelaçam com a pobreza?
PJG - Não posso explicar. É toda uma mescla natural. Pelo menos aqui no Caribe. Creio que em Salvador, na Bahia, seja igual. Tive uma experiência muito forte ao permanecer vários dias na Bahia e ver como as pessoas funcionam da mesma maneira que em Cuba.
              
CULT - Onde estão a beleza e a sedução em um mundo no qual os padrões e as referências não existem mais?
PJG - Nós, artistas, vivemos fora do mundo-padrão. Até no meio de uma guerra vemos a beleza e seduzimos. Eu tenho um couro de crocodilo, mas por debaixo há muita ternura e amor.
            
CULT - Seus personagens em Trilogia suja de Havana parecem guardar dentro de si uma agressividade reprimida. Você acha que os cubanos temem uma explosão de violência social?
PJG - Sim, claro. Por isso, todos nos esforçamos em resolver os problemas pouco a pouco, e de um modo pacífico; nossa história é muito violenta e com muitas guerras. Todos queremos viver tranqüilamente.
          
CULT - Os personagens de seus livros ambientados em Centro Havana são perdedores? São os marginais da sociedade, são o povo, são os anti-heróis ou são os heróis?
PJG - São anti-heróis definitivamente; são os marginais que existem em toda parte; são as pessoas que me interessam. Nada de heróis.
         
CULT - Você já esteve nas favelas do Brasil? Quais são as diferenças ou semelhanças que notou com relação a Centro Havana?
PJG - Creio que nas favelas há muito mais agressividade e violência. Eu acho que é ainda pior.
         
CULT - Em Coração mestiço, seu personagem central sai de Havana, descobrindo uma cultura e uma sexualidade híbridas. Qual é sua opinião sobre a bissexualidade?
PJG - Creio que somos mamíferos brincalhões. Não acredito nas boas maneiras. Todos somos sexuais e o sexo é uma brincadeira, uma aventura, uma forma de prazer.
           
CULT - Por que não publicam suas obras na Suécia? Você acredita que isto teria alguma relação com Animal tropical? Por quê?
PJG - Parece que algumas editoras se sentiram ofendidas porque Agneta, a sueca desse romance, talvez seja um pouco ridícula. Porém já há uma proposta de uma editora de Estocolmo.
           
CULT - Por que você resolveu eleger Graham Greene como personagem de seu último livro?
PJG - Porque é um personagem muito complexo, católico e pecador e luxurioso, bêbado, pervertido. Teve toda uma história e, por isso, escondia tanto sua vida particular da mídia.
         
CULT - Em Nosso GG em Havana, um personagem coadjuvante quase rouba a cena: o Super-homem. Como você construiu este personagem? Ele existiu? É verdade que suas exposições atraíram grandes estrelas de Hollywood?
PJG - Sim, Ava Gardner, por exemplo, passou toda uma noite com ele no Hotel Nacional e dizem que, no dia seguinte, tiveram que atendê-la em um hospital de Havana. O cadáver dele está guardado em um grande tanque de formol na escola de medicina desta cidade e não querem utilizá-lo para as aulas de anatomia. Ele passou seus últimos anos como jardineiro dessa faculdade. A realidade sempre ultrapassa a ficção.
           
CULT - Há uma passagem em Nosso GG em Havana na qual o personagem central compara a arquitetura com a literatura. Qual é a arquitetura de Pedro Juan Gutiérrez?
PJG - A mesma que descrevo no romance. Sou minimalista. Respeito as palavras e as desenvolvo ao máximo.
           
CULT - Você costuma ser muito assediado por fãs estrangeiros em Cuba? As pessoas o buscam em casa, lhe enviam presentes?
PJG - Me dão camisinha, uísque, pornografia, livros, cartas de amor etc. Especialmente mulheres e, ultimamente, as quarentonas e cinqüentonas gostosonas e com caras de luxúria. Também os gays. Divirto-me muito, mas, às vezes, perturbam minha vida, é verdade.
          
CULT - Você já recebeu proposta para filmar um de seus romances? Há algo concreto em andamento?
PJG - Sim, há muitas propostas, mas não tenho pressa.
         
CULT - Quais são seus projetos no momento? Você está escrevendo um novo romance?
PJG - Sim, escrevo lentamente um romance, poesia e contos.
          
CULT - Pedro Juan Gutiérrez é um homem realizado e feliz?
PJG - Tento a plenitude, não a felicidade. Viver plenamente o dia-a-dia. E sim estou muito realizado. Já com 58 anos, parece que tenho 150 porque vivi intensamente.

Por Gunter Axt Revista Cult
manunegra  1713
01-09-2009 09:38 AM ET (US)
JANEIRO 07, 2009
Jovens israelenses presos por oposição à guerra pedem apoio mundial
Shministim. Já ouviu falar? São objetores de consciência. "Objeção de consciência", na definição de um grupo de jovens de 16 a 19 anos, é a recusa a servir o exército por razões de consciência. Resultado: estão presos e pedem o apoio da sociedade civil global. Por Gustavo Barreto, da redação. Leia mais.

Shministim. Já ouviu falar? São objetores de consciência. "Objeção de consciência", na definição de um grupo de jovens, é a recusa a servir o exército por razões de consciência. Jovens de Israel, secundaristas, se declararam objetores de consciência. São jovens com a coragem necessária para dizer não ao que discordam. São israelenses e querem continuar sendo israelenses livres.

Os Shministim - todos com idade entre 16 e 19 anos, no final do segundo grau - são objetores de consciência em Israel e estão presos.

Eles acreditam num futuro melhor e mais pacífico para eles e para os israelenses e palestinos. Eles recusaram o alistamento do Exército de Israel. Além da prisão, eles suportam uma enorme pressão da família, de amigos e do governo de Israel. "Eles precisam do nosso apoio e eles precisam hoje", afirma um comunicado que circula por emails e sites em todo o mundo.

Os Shministim pediram ao grupo "Jewish Voice for Peace" para buscar pessoas da sociedade civil global para fazer o governo de Israel saber que existe outros objetores de consciência em todo o mundo que apóiam sua coragem. Esperam receber centenas de milhares de 'postcards' que serão entregues ao Ministro da Defesa de Israel. Já chegaram 22 mil cartas até agora (veja abaixo o site).

"Especialmente agora que bombas caem sobre Gaza, nós somos lembrados de que quando os soldados dizem não ao ilegal, mortes são evitadas", afirma outro trecho do comunicado.

Os Shministim esperam representar não apenas os milhares que os precederam, não apenas os muitos jovens para quem eles são um exemplo, mas também querem representar pessoas como as milhares de centenas de pessoas que, em todo o mundo, querem a paz.

Em 18 de dezembro foi lançada a campanha mundial pela libertação destes jovens. Assista ao vídeo, abaixo. A campanha, a carta de apoio e as histórias destes jovens estão no site www.december18th.org

Veja o vídeo em http://consciencianet.blogspot.com/2009/01...sos-por-oposio.html

--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
Lembre-se que você tem quatro opções de participação: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
Informe-Consciencia-unsubscribe@googlegroups.com ou envie um email solicitando. Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com/group/Informe-Consciencia?hl=pt-BR

[www.consciencia.net]
-~----------~----~----~----~------~----~------~--~---
manunegra  1712
01-09-2009 09:36 AM ET (US)
Seções Consciência.Net
JANEIRO 08, 2009
Israel ataca comboio da ONU de ajuda humanitária
Míssil que atingiu um comboio de ajuda humanitária da Agência de Assistência aos Refugiados Palestinos matou dois motoristas. Bombardeio, que ocorreu durante cessar-fogo estabelecido por Israel, levou à interrupção do auxílio da ONU a Gaza. Por Gustavo Barreto, da redação. Leia mais clicando aqui.

A Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) suspendeu suas operações na Faixa de Gaza depois que um de seus comboios foi atacado nesta quinta-feira (8) pelo Exército de Israel, causando a morte de um dos condutores e ferindo um terceiro. A ação foi condenada enfaticamente pelo secretário-geral da ONU.

Em um comunicado, Ban Ki-moon assinalou que o incidente ocorreu durante as três horas em que Israel havia prometido suspender os ataques, para a entrada de ajuda ao território palestino. "Desde o início do conflito, há 13 dias, quatro empregados da UNRWA foram mortos", destacou Ban Ki-moon.

Ele acrescentou que a ONU se mantém em contato com as autoridades israelenses para que se investiguem a fundo este e outros acontecimentos, como modo de obrigar Israel a tomar medidas que evitem novos ataques.

O secretário-geral reiterou sua convocatório por um imediato cessar-fogo, para facilitar o acesso irrestrito de bens humanitários e permitir que os trabalhadores assistam a população necessitada, em condições de segurança.

Ban Ki-moon explicou que a UNRWA não pode garantir a integridade de seu pessoal e considerou inaceitável interromper suas tarefas de assistência em um momento em que a crise humanitária aumenta.

A caravana atacada transportava mantimentos humanitários a partir do acesso norte da Faixa de Gaza e portava bandeiras da ONU. Além disso, os condutores vestiam jalecos que os identificavam como funcionários das Nações Unidas. A UNRWA distribui alimentos a cerca de 750.000 pessoas em território palestino.

Genocídio é comparado a uma "nova nakba"

Segundo a agência de notícias AFP, o número de vítimas da ofensiva israelense na Faixa de Gaza subiu nesta quinta-feira (8), para 763 mortos, após novos ataques mortíferos e a recuperação de muitos corpos pelos socorristas durante uma pausa nos bombardeios.

A ofensiva israelense na Faixa de Gaza entrou no seu 13º dia e já deixou mais de 3.200 feridos, segundo o chefe dos serviços de emergência, Muawiya Hassanein. Oito militares israelenses foram mortos desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.

Para o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, a ofensiva israelense constitui uma nova 'nakba', a "catástrofe" que foi para os palestinos a criação, em 1948, de Israel em 75% da Palestina histórica. Segundo a AFP, as agências humanitárias denunciaram uma crise "total" no território pobre e densamente povoado, onde falta água, comida, combustível e energia.

--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
Lembre-se que você tem quatro opções de participação: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
Informe-Consciencia-unsubscribe@googlegroups.com ou envie um email solicitando. Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com/group/Informe-Consciencia?hl=pt-BR

[www.consciencia.net]
-~----------~----~----~----~------~----~------~--~---
manunegra  1711
01-06-2009 09:25 PM ET (US)
Seções Consciência.Net
JANEIRO 06, 2009
Doze regras de redação da grande mídia internacional quando a noticia é do Oriente
A cobertura parcial da imprensa possui doze preceitos, texto segundo enviado por leitor ao Blog da Carta Maior. Vale a pena conferir.

1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.

2) Os árabes, palestinos ou libaneses não tem o direito de matar civis. Isso se chama "terrorismo".

3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama "legitima defesa".

4) Quando Israel mata civis em massa, as potencias ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama "Reação da Comunidade Internacional".

5) Os palestinos e os libaneses não tem o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isto se chama "Sequestro de pessoas indefesas."

6) Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isto se chama "Prisão de terroristas".

7) Quando se menciona a palavra "Hezbollah", é obrigatória a mesma frase conter a expressão "apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã".

8) Quando se menciona "Israel", é proibida qualquer menção à expressão "apoiada e financiada pelos EUA". Isto pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.

9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões "Territórios ocupados", "Resoluções da ONU", "Violações dos Direitos Humanos" ou "Convenção de Genebra".

10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre "covardes", que se escondem entre a população civil, que "não os quer". Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de "Covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama "Ação Cirúrgica de Alta Precisão".

11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama "Neutralidade jornalística" ou "Imparcialidade jornalística".

12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são "Terroristas anti-semitas de Alta Periculosidade".

    (Texto francês anônimo, enviado por leitor ao Blog da Carta Maior, visualizado no site do Pravda em português aqui)


--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
Lembre-se que você tem quatro opções de participação: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
Informe-Consciencia-unsubscribe@googlegroups.com ou envie um email solicitando. Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com/group/Informe-Consciencia?hl=pt-BR

[www.consciencia.net]
-~----------~----~----~----~------~----~------~--~---
manunegra  1710
01-06-2009 09:39 AM ET (US)
Seções Consciência.Net
Janeiro 06, 2009
Contra o massacre e a destruição da Universidade Islâmica de Gaza
Em documento, acadêmicos brasileiros e estrangeiros se posicionam contra a violência na Faixa de Gaza. "Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, pretexto idêntico àquele utilizado pelos regimes fascistas para decretar a morte da cultura (...)".

A adesão pode ser enviada à professora Arlene Clemesha (aeclem@hotmail.com) ou ao professor Caio Toledo (cntoledo@terra.com.br)

Contra o massacre e a destruição da Universidade Islâmica de Gaza

Enquanto a carnificina causada pelo ataque israelense à Faixa de Gaza nos enche de horror, tristeza e indignação, um fato, em particular, nos obriga a nos manifestar: a destruição da Universidade Islâmica de Gaza. Assim como as universidades católicas e pontifícias em todo o mundo, a Universidade de Gaza é uma instituição dedicada ao ensino e à pesquisa acadêmica.

Devido à negação ao acesso e compartimentação da vida nos territórios palestinos, a Universidade Islâmica tornou-se ainda mais importante para a população jovem de Gaza, impedida de cursar faculdades na Cisjordânia, em Israel ou no exterior, inclusive quando são aceitos como bolsistas.

A Universidade atende mais de 20.000 estudantes, 60% dos quais são mulheres. Formada por 10 faculdades, oferece cursos de graduação e pós-graduação em educação, religião, arte, comércio, direito, engenharias, ciências exatas, medicina e enfermagem. Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, pretexto idêntico àquele utilizado pelos regimes fascistas para decretar a morte da cultura. O que querem é a morte da memória, da história e da identidade do povo palestino.

Os signatários desta carta condenam toda violência e lamentam cada morte, seja em Israel, seja nos Territórios Palestinos Ocupados ilegalmente por Israel. Mas não podemos aceitar calados que seja lançado literalmente aos escombros o direito à educação, à dignidade, à vida nessa pequena faixa de terra onde há décadas a população vive na mais absoluta negação. Ao atacar o direito à educação e à cultura em Gaza, coloca-se à prova a educação e a cultura mundiais.

    SIGNATÁRIOS

        * Adelaide Gonçalves, Universidade Federal do Ceará
        * Afrânio Mendes Catani - USP
        * Alice Áurea Penteado Martha, UEM, Maringá/PR
        * Alphonse Nagib Sabbagh - Universidade Federal do Rio de Janeiro
        * Anita Handfas, FE/UFRJ
        * Antonio Carlos de Azevedo Ritto, UERJ
        * Antonio Miguel, FE, Unicamp
        * Ana Lúcia Goulart de Faria, FE, Unicamp
        * Philomena Gebran, UFRJ
        * Arlene Clemesha, FFLCH, Universidade de São Paulo
        * Arlete Moyses Rodrigues, IFCH, Unicamp
        * Arlet Ramos Moreno, IFCH, Unicamp
        * Áurea M. Guimarães, F.E. - Unicamp.
        * Benedito Antunes, FCL-UNESP, Assis
        * Boaventura de Sousa Santos - Universidade de Coimbra
        * Cacilda Aparecida da Silva - PUC-SP
        * Caio N. de Toledo, IFCH, UNICAMP
        * Carlos Eduardo Martins, Universidade Federal Fluminense
        * Carlos Walter Porto-Gonçalves, UFF
        * Ceci Juruá, LPP - UERJ
        * Clarice Gatto - Friocruz - RJClaudia Gil Ryckebusch - PUC-SP
        * Cristina Ayoub Riche - Universidade Federal do Rio de Janeiro
        * Suely Ferreira Lima - Universidade Federal do Rio de Janeiro
        * Cristiane Nunes Duarte - Universidade Federal do Rio de Janeiro
        * Cristina Paniago, FCS, Universidade Federal de Alagoas
        * Danilo Enrico Martuscelli, IFCH, Unicamp
        * Danilo Guiral, FAU-USP
        * Deise Mancebo
        * Edmilson Carvalho, UCSAL
        * Eduardo Galeano, Escritor
        * Edwiges Rabello de Lima, prof. SEESP
        * Eleuterio F. S. Prado, FEA/USP
        * Elisabeth Sekulic, PPFH/UERJ
        * Emir Sader, LPP - UERJ e Universidade de São Paulo
        * Enio Serra - FE/UFRJ
        * Fernando Morais, Jornalista e Escritor
        * Flávio Wolf de Aguiar, FFLCH/USP.
        * Florence Carboni, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
        * Francisco Antonio de Castro Lacaz - UNIFESP/Escola Paulista de Medicina
        * Francisco de Oliveira, FFLCH - Universidade de São Paulo
        * Francisco Miraglia, IME -Universidade de São Paulo
        * Gaudencio Frigoto – UERJ
        * Gilberto Maringoni - Jornalista
        * Guillermo Almeyra - Universidade Autonoma de México
        * Guillermo Marcelo Almeyra Casares
        * Heloísa Fernandes, FFLCH - Universidade de São Paulo
        * Hugo V. Capelato, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
        * Ildeberto Muniz de Almeida - Faculdade de Medicina Botucatu - UNESP
        * Immanuel Wallerstein - Yale University
        * Ivana Jinkings, Editora João Alexandre Peschanski, University of Wisconsin-Madison
        * João Baptista M. Vargens - Universidade Federal do Rio de Janeiro
        * Hani Hazime - Universidade Federal do Rio de Janeiro
        * Ibrahim Georges Khalil - Universidade Federal do Rio de Janeiro
        * Geni Harb - Universidade Federal do Rio de Janeiro
        * João Francisco Tidei Lima, Unesp/USC- Bauru
        * Joaquim Fontes
        * Jorge Marcelo Córdova Jarufe
        * José Arbex Jr - PUC-SP
        * José Claudinei Lombardi,, FE - Unicamp
        * José Oscar de Almeida Marques, IFCH, UNICAMP
        * Kjeld Jakobsen, FFLCH - USP
        * Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida - FCS, PUC-SP.
        * Luiz Carlos de Freitas, Professor Titular da Faculdade de Educação, Unicamp.
        * Mamede Jarouche, FFLCH - Universidade de São Paulo
        * Manuela Quintáns Alvarenga, UFRJ e CEDERJ
        * Marcelo Carcanholo, FE/UFF
        * Marcos Silva, Professor Titular da FFLCH/USP
        * Maria Teresa Toribio B.Lemos, PPGH - UERJ e Nucleas
        * Maria Victoria de Mesquita Benevides , socióloga USP
        * Mário Maestri, Historiador, Programa de Pós-Graduação em História da UPF
        * Marisa Brandão, CEFET/RJ
        * Marise Leite - CAp - UFRJ
        * Maurício Vieira Martins, ICHF/UFF
        * Michel Sleiman, FFLCH - Universidade de São Paulo
        * Miguel Attie Filho - FFLCH - Universidade de São Paulo
        * Milton Pinheiro - Universidade do Estado da Bahia
        * Miriam Abduche Kaiuca - UFRJ
        * Mirian Giannella - Socióloga DRT 1902
        * Mona Hawi, FFLCH- Universidade de São Paulo
        * Olgária Matos, FFLCH-USP
        * Osvaldo Coggiola, FFLCH - Universidade de São Paulo
        * Pablo Gentili, UERJ
        * Patrícia Vieira Trópia, Universidade Federal de Uberlândia
        * Paulo Benevides Soares, astrônomo USP
        * Paulo Cesar Azevedo Ribeiro, Relações Internacionais - UNESA
        * Paulo Nakatani, Professor UFES
        * Pedro Ganzeli, FE / Unicamp
        * Rafael Alonso, Professor CEFET-RJ
        * Ramon Casas Vilarino - Faculdade Sumaré.
        * Reinaldo A. Carcanholo - UFES
        * Roberto Leher - Universidade Federal FluminenseRodrigo Nobile, LPP - UERJ
        * Rosanne E. Dias, CAp - UFRJ/ Proped-UERJ
        * Rosemary Achcar - UNB
        * Safa Jubran, FFLCH - Universidade de São Paulo
        * Sergio Amadeu da Silveira - Faculdade Cásper Líbero.
        * Sérgio Gregório Baierle, CIDADE Centro de Assessoria e Estudos Urbanos
        * Siomara Borba, FE/UERJ
        * Sonia Mariza Martuscelli, Unitau
        * Soraya Smaili, Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina
        * Theotonio dos Santos, prof. Emérito UFF
        * Valter Pomar, Relações Internacionais - PT
        * Virgínia Fontes - Historiadora, UFF
        * Vittorio Cappelli, prof. Associato di Storia Contemporanea, Università della Calabria
        * Zilda Márcia Grícoli Iokoi, FFLCH - USP


--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
Lembre-se que você tem quatro opções de participação: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
Informe-Consciencia-unsubscribe@googlegroups.com ou envie um email solicitando. Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com/group/Informe-Consciencia?hl=pt-BR

[www.consciencia.net]
-~----------~----~----~----~----
babygranada  1709
01-01-2009 11:27 AM ET (US)

América Latina
Quinta, 1 de janeiro de 2009, 13h11 Atualizada às 13h12
Che era um matador, diz intelectual cubano exilado

Lúcia Jardim
Direto de Paris

Faz 45 anos que Jacobo Machover saiu de Cuba com a família e nunca mais pôde voltar. Ao perceber o "caminho sem volta" em que o sonho socialista entrava, seu pai, que trabalhava como tradutor para Che Guevara, decidiu levar a mulher e os filhos para a França. No país europeu, o ex-admirador do mítico personagem da Revolução Cubana tornou-se um respeitado intelectual sobre o seu país de origem e uma das vozes mais ativas contra o regime castrista entre os exilados cubanos no exterior.

» Regime castrista divide cubanos exilados
» Infográfico: 50 anos da Revolução Cubana

Hoje, Machover tem seus próprios filhos em Paris e divide seu tempo entre as atividades de escritor - já são seis livros só sobre Cuba -, professor da Universidade Paris XII e colaborador para jornais franceses. Às vésperas do 50º aniversário da tomada do poder por Fidel Castro, o intelectual concedeu uma entrevista ao Terra.

Raúl Castro parece querer mostrar que quer reabrir Cuba econômica e culturalmente e já começa a se ouvir em fim da revolução. Você concorda?
Nem uma coisa nem outra são verdadeiras. Faz 50 anos, desde que a revolução começou, que a situação se encontra em um imobilismo absoluto. Faz 50 anos que os dois irmãos estão lá onde eles estiverem sempre, os dois, no poder: Fidel e Raúl. A supressão da dinastia Castro não será uma mudança. Não há nenhum sinal de mudança nem de abertura econômica. O que o Raúl Castro está fazendo é ridículo: não há qualquer abertura real. Ele sequer afirma que vai fazer alguma mudança, é a mídia que interpretou desta forma alguns sinais dele, mas na realidade não há nada de novo. Não é porque se autoriza o uso de celulares que se está abrindo o país economicamente. Não faz nenhum sentido. Eles autorizam a posse de computadores domésticos, mas desde que não tenha Internet. Onde está a liberalização econômica? O mais grave é que nenhuma medida de liberdade não foi tomada. O mais terrível é que todo mundo aceitou a sucessão entre Fidel e Raúl sem sequer questioná-la, e isso foi a coisa mais antidemocrática do mundo! Eu acho inclusive que a recepção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Raúl Castro é uma vergonha para o Brasil e uma vergonha para a democracia.

Qual é o sentimento dos cubanos em relação a tudo isso hoje em dia? Em Paris, tive dificuldade em encontrar pessoas que se levantassem contra o regime...
Eu falo para você sobre o meu sentimento, eu não falo em nome dos cubanos. Mas como você acha que os exilados poderiam ser a favor do regime castrista? Quem você encontrou são associações "oficiais", são ligadas ao governo, mas não dizem isso abertamente. Como você gostaria de encontrar, entre os 2 ou 3 milhões de exilados cubanos que há no mundo, um único que possa estar de acordo com o regime castrista? Existe uma unanimidade, no exílio, de considerar que o regime castrista é o responsável de todas as nossas tristezas, assim como as tantas que continuam lá. O exílio não é nada divertido: para alguns entre nós, faz 50 anos que estamos fora do nosso país. Em todo os regimes ditatoriais, sempre haverá pessoas que se dizem de associações não-governamentais mas que na verdade estão sob o controle do regime. E essas pessoas e associações que você encontrou, são deste tipo. Os anti-castristas, especialmente os intelectuais, não são particularmente ligados a associações, o que não os impede de mostrar as suas palavras de condenação do sistema. Por exemplo, durante vários anos, em todas as terças-feiras, havia manifestações anti-castristas em frente a diversas embaixadas cubanas ao redor do mundo.

Qual é a herança desta revolução, não apenas para Cuba, mas também para a esquerda?
A sua questão é um pouco orientada. Quando falamos em herança, falamos de algo a dar para o outro. Neste caso, são sobretudo dívidas. A esquerda falhou em toda a América Latina, face à Revolução Cubana. A esquerda tem responsabilidades moral na mais longa ditadura pessoal do século XX. A esquerda tem uma responsabilidade enorme na propaganda em favor do castrismo. O castrismo é o regime que, por muito tempo, promoveu a guerrilha na América Latina. Existem muitas pessoas jovens que morreram em nome disso, ou então que mataram outras tantas pessoas que eram contrárias a este regime. Por muitos anos, o regime trouxe uma instabilidade crônica na América Latina, e a herança mais visível se encontra em regiões caricatas, como a Venezuela de Hugo Chávez e todos os outros que estão em torno dele, como Rafael Corrêa, Daniel Ortega e Evo Morales. Aliás, não se pode falar em "a" esquerda na América Latina, porque são diversas. Pelo menos o Hugo Chávez não pode ser considerado de esquerda. É um déspota sem nenhuma legitimidade democrática, ele não é partidário da democracia. Ele criou artimanhas para se perpetuar no poder e continua demonstrando que não é um partidário da democracia, querendo se eleger até o fim da vida. Ortega também não é um democrata, e Evo Morales é extremamente discutível. Digamos que estes três, os mais radicais, são a encarnação do populismo mais caricato. Em geral, todas os governos de esquerda da América do Sul têm uma admiração pelo regime castrista. Mas temos também uma outra esquerda muito mais apresentável. Tem apenas um, o presidente da Costa Rica, que é um homem de esquerda e reprova o que é feito em Cuba. Ele em nenhum momento deixou de fazer as críticas mais duras ao regime castrista, mas infelizmente não se ouve falar muito dele.

Onde entra o Brasil nesta herança do castrismo?
No Brasil, Lula, que é um antigo sindicalista, foi eleito em absoluta legitimidade. Eu lamento que um dos pontos mais negativos da sua presidência ¿ e isso ele vai guardar para sempre com ele ¿ é o seu apoio ao regime castrista. Não é o mesmo que Chávez: Chávez e o castrismo são praticamente a mesma coisa. Lula e o castrismo, não. Lula é um admirador dos irmãos Castro e se recusou a receber e a falar com dissidentes. É algo que ele vai guardar na sua consciência.

Que futuro você vê para Cuba após a morte dos irmãos Castro?
Pouco importa o fato de eles estarem mortos ou não. A única coisa positiva depois de 31 de julho de 2006, quando Fidel Castro passou "provisoriamente" o poder ao seu irmão, é que desde então a gente não o vê mais. Ele desapareceu, e o povo cubano em seu conjunto, no interior quanto no exterior do país, se livrou dele e da sua figura onipresente. Isso é um alívio extraordinário. É um alívio não mais ter de vê-lo constantemente em imagens, em palavras, e tudo mais. Ele não está morto oficialmente, mas ele é moribundo, é um personagem que não se vê mais, há meses e meses. Qual é o seu estado real? Ninguém sabe! Tudo é uma mentira sobre o seu estado de saúde, que fica em segredo. Ninguém, hoje, pode afirmar nem que ele está morto, nem que está vivo. Então, falar sobre o que vai acontecer após a morte dele é um erro. Para a maioria do povo cubano, ele está morto politicamente. Eu considero que não é a morte física que faz a morte de um homem: é a morte política. E ele está morto politicamente. Hoje, o verdadeiro e único poder em Cuba é Raúl, no entanto ele está já no poder há 50 anos. Os irmãos Castro sempre foram indissociáveis. Raúl não é menos que Fidel, Raúl é um enorme assassino. É um homem que mandava fuzilar dezenas de pessoas em uma única jornada desde o primeiro dia da tomada do poder, e desde então nunca mais parou, faz 50 anos. É uma pessoa profundamente ligada ao exército e aos aparelhos de repressão durante todos estes anos. Sobre o dia em que os dois irmãos estarão mortos, eu não sou muito otimista. E por uma razão: sempre houve gente para apoiar este tipo de miragem que foi a Revolução Cubana, mas que na verdade é, sem nenhuma dúvida, o regime mais repressivo que já existiu na América Latina.

Até hoje ainda é muito comum, sobretudo na juventude, o apoio à Revolução. Como você explica?
É graças ao mito Che Guevara, que foi um dos maiores assassinos desta Revolução. Eu escrevi um livro, que se chama "A Face Escondida do Che", onde há uma série de testemunhos de pessoas que passaram diante dele. O Che dirigiu centenas de execuções em Cuba. Era um matador. Eu não consigo compreender como tanta gente caiu no discurso deles todos. Eu tento, então, contar a verdade. Escrevi um outro livro, Memórias de um naufrágio, que vai ser publicado justamente agora, em função do 50º aniversário. São mais testemunhos de pessoas que foram reprimidas em Cuba e que passaram 20 ou 40 anos presos apenas por discordarem do sistema. Outros são pessoas que tiveram de suportar e que sobreviveram aos massacres que aconteceram em Cuba.

Como você fez para recolher os testemunhos? Voltou a Cuba?
risos Não, lá é impossível. Lá, não se pode fazer algo assim. São pessoas exiladas, como eu, que fui conhecendo ao longo destes anos.

Enquanto cubano, como você se sente ao perceber que a situação não muda no seu país, depois de tantos anos?
Não tenho mais nenhuma nostalgia. Eu lamento não ter mais família em Cuba, mas ao mesmo tempo é isso que me permite de me exprimir em total liberdade, senão poderia haver pressões sobre a minha família, e tal. Minha família, hoje, vive toda aqui. Não sinto a menor nostalgia, e não é isso que me determina a agir. Prefiro viver sem pátria porque, como diz um outro pensador nacional, "sem pátria, sem dono".

Você pensa que Barack Obama na presidência dos Estados Unidos pode influenciar em alguma mudança na ilha?
Quem pode ter alguma esperança? É totalmente irracional pensar que pode haver alguma mudança com o Obama. Não faz nenhum sentido, e ele nem promete nada. A única coisa que ele poderia dialogar com Raúl Castro - mas duvido que Raúl Castro tenha interesse em dialogar - é de trocar os prisioneiros políticos que estão em Cuba com os cubanos que estão presos nos Estados Unidos, acusados de espionagem, sugestão que Raúl apresentou no Brasil recentemente. E isso não faz o menor sentido, os próprios dissidentes cubanos recusam a idéia dessa troca. São dissidentes pacíficos que foram condenados a até 28 anos de prisão e por simples delito de opinião. Os cubanos que estão presos nos Estados Unidos são pessoas que se infiltraram em organizações com o trabalho de espionar. Não são combatentes pela liberdade, são agentes do governo. Os dissidentes pacíficos que estão presos em Cuba estão lá graças à lei de Cuba, que é terrível e condena a liberdade de expressão. Nos Estados Unidos, não são as leis que é preciso mudar. Essa troca seria reconhecer que a lei cubana é aceitável, mas ela é inaceitável. Não podemos condenar pessoas por terem exercido o seu direito de liberdade de expressão. É preciso liberá-los sem contrapartida. Não creio que Obama entraria neste tipo de jogo. Acho que ele é um pouco inteligente e terá em mente a realidade de o que significa dialogar com Raúl Castro, que é um grande ditador. Acho que os Estados Unidos, não importa sob qual presidência, são uma grande democracia. E uma grande democracia não deve aceitar a chantagem da tirania de uma dinastia.
manunegra  1708
12-31-2008 02:51 PM ET (US)
Dezembro 30, 2008
Israel comete "genocídio" e "crime contra a humanidade"

(...) sem ser nenhum anti-sionista furibundo (até porque reconheço a extraordinária contribuição de grandes judeus aos movimentos libertários dos séculos passados e ao humanismo através dos tempos), não tive nenhuma dúvida de que ocorria uma carnificina na faixa de Gaza e de que eu deveria repudiá-la da forma mais veemente. Leia o texto de Celso Lungaretti.

Não espero para ver como os outros se posicionam quando há acontecimentos do tipo das agressões brutais de Israel à população civil palestina. Emito minha opinião, pelo que ela possa valer, de bate-pronto.

O que conta, para mim, são sempre os princípios.

Como combatente da resistência à ditadura, aos 18 anos de idade eu já acreditava que guerras se travam entre os nelas engajados, não devendo estender-se aos civis. É uma covardia e uma infâmia atingir (ou criar situações que levem a ser atingidos) crianças, mulheres, velhos e outros cidadãos alheios ao conflito.

Então, sem ser nenhum anti-sionista furibundo (até porque reconheço a extraordinária contribuição de grandes judeus aos movimentos libertários dos séculos passados e ao humanismo através dos tempos), não tive nenhuma dúvida de que ocorria uma carnificina na faixa de Gaza e de que eu deveria repudiá-la da forma mais veemente.

Hoje, com satisfação, constato que minha avaliação estava correta. Editorial, noticiário e espaços opinativos da edição de 30/12 da Folha de S. Paulo vêm ao encontro do que afirmei desde o primeiro momento.

E, como o verdadeiro jornalismo anda em baixa, vale a pena reproduzir os trechos mais marcantes desses textos exemplares:

"Merecem repúdio os ataques do grupo extremista palestino Hamas contra o território israelense. Mas a brutal reação de Israel, que abusou do legítimo direito de defesa e provocou uma crise humanitária na faixa de Gaza, tampouco pode deixar de ser condenada.

"...Não se esperava (...) um contra-ataque tão maciço das forças israelenses, surpresa que está assentada em motivações não apenas militares, mas também políticas.

"...A ofensiva contra o Hamas, em Gaza, soa como uma cartada da coalizão governista para evitar a vitória de Binyamin Netanyahu na eleição do novo gabinete, em fevereiro. O ex-premiê de direita radical, crítico do que chama de tolerância excessiva com grupos palestinos hostis a Israel, lidera as pesquisas de opinião.

"A inclinação do eleitorado israelense para a direita também parece uma reação à política anunciada para o Oriente Médio por Barack Obama. O presidente eleito dos EUA promete uma diplomacia abrangente e não descarta negociar com o Irã, considerado em Israel a maior ameaça estratégica ao Estado judaico.

"A plataforma linha-dura que emerge dessa confluência de fatores contém armadilhas conhecidas. Por mais que o Exército de Israel imponha danos importantes aos extremistas, os bombardeios dificilmente vão tirar do Hamas o controle político de Gaza...

"Se optar pela invasão terrestre, o governo israelense vai incorrer no mesmo risco da operação realizada no Líbano. O Exército de Israel poderá até ocupar os prédios do governo e capturar lideranças do Hamas, mas isso não vai aniquilar o extremismo naquela estreita faixa litorânea.

"De vício parecido padece o bloqueio econômico e à circulação imposto pelos israelenses contra 1,5 milhão de palestinos que vivem na empobrecida região de Gaza. Trata-se de uma medida desumana, que só faz aumentar o ressentimento contra Israel.

"Sem uma solução política que dê autonomia de fato e viabilidade econômica para um Estado palestino no Oriente Médio, o substrato que favorece as espirais de hostilidades permanecerá intacto. O importante agora, contudo, é obter um cessar-fogo imediato entre Hamas e Israel." (editorial "Cessar-fogo imediato")

"No terceiro dia consecutivo de bombardeios israelenses, além de terem de contornar a escassez de medicamentos, energia elétrica, gás de cozinha, combustíveis e alimentos, os habitantes da faixa de Gaza evidenciavam temor de ir aos templos muçulmanos da região.

"'Os hospitais e as mesquitas eram os lugares mais seguros. Mas, hoje [ontem], notei que as pessoas estão preocupadas e com medo de ir às mesquitas para fazer suas orações, porque os israelenses as atingiram na ofensiva", disse Hazem Balousha, que reporta para o jornal britânico 'Guardian', de Gaza.

"Ele relatou ao menos cinco templos bombardeados na região. Uma das mesquitas atingidas é próxima do hospital Shifa, o principal de Gaza." (notícia "Ofensiva não poupa nem mesquitas de Gaza")

"Não se trata de desprezar os riscos que Israel corre, seja pelo terrorismo praticado pelos fundamentalistas, seja pelos ataques com foguetes disparados desde Gaza. Mas adotar punição coletiva é intolerável, além de ineficaz. Acaba apenas jogando mais jovens no desespero que é, em parte, a estufa em que se incubam terroristas.

"Não adianta também tentar asfixiar o Hamas, que governa Gaza e é uma das raríssimas administrações no mundo árabe nascida de eleições que a comunidade internacional aceitou como justa e livre. A menos que se acredite que o Hamas ganhou porque todos os palestinos de Gaza são terroristas. Quem acredita nessa hipótese vai acabar propondo a 'solução final' para o gueto de Gaza." (Clovis Rossi, colunista)

"O que ocorre na Faixa de Gaza é extermínio de civis. Deliberado, como demonstram os bombardeios a acampamentos de refugiados, colunas de fugitivos e tantos outros alvos. Esse extermínio tem nome técnico e jurídico: é genocídio. Pelas leis internacionais, é crime de guerra e crime contra a humanidade." (Jânio de Freitas, colunista)

=== SOBRE O MESMO ASSUNTO, VER TAMBÉM http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/200...ente-de-israel.html

--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
Lembre-se que você tem quatro opções de participação: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
Informe-Consciencia-unsubscribe@googlegroups.com ou envie um email solicitando. Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com/group/Informe-Consciencia?hl=pt-BR

[www.consciencia.net]
manunegra  1707
12-30-2008 10:27 AM ET (US)
Página Principal
Dezembro 29, 2008
Israel monta campanha na mídia

Israel montou ampla campanha de mídia – que ingleses e norte-americanos chamam de "public relations (PR) campaign" – para convencer corações e mentes em todo o planeta, de que o Hamás é culpado pela morte e destruição que o mundo está assistindo pelos noticiários de televisão. Matéria do Jornal The Guardian (*)

Israel montou ampla campanha de mídia – que ingleses e norte-americanos chamam de public relations (PR) campaign – para convencer corações e mentes em todo o planeta, de que o Hamás é culpado pela morte e destruição que o mundo está assistindo pelos noticiários de televisão.

Para evitar que se repetisse a onda de crítica, em todo o mundo, que atingiu Israel no início de 2008, quando Israel invadiu Gaza para prender militantes que lançavam foguetes de quintal – brincadeira de criança, comparada ao brutal ataque hoje em curso –, Israel decidiu precaver-se.

"No passado, nosso primeiro-ministro recebia telefonemas de funcionários e políticos. Quando dizíamos a eles 'Vocês entendem nossa reação, não é? Não podemos admitir aqueles foguetes que...' eles respondiam 'Que foguetes?!' Não tinham qualquer informação sobre nossos problemas", disse o porta-voz do governo israelense, Yigal Palmor.

Então, enquanto os chefes-da-guerra armavam seus aviões-bombardeiros, o ministério do Exterior preparava ampla campanha de divulgação, para conter as críticas contra o assalto à Palestina, que viria no sábado.

Todos os diplomatas israelenses tiveram o fim-de-semana suspenso e foram chamados às embaixadas. E foi montado em Sderot, junto à fronteira norte de Gaza, um centro de imprensa, multilíngue, para o qual foram convocados jornalistas do mundo inteiro.

Em Telavive, a ministra do Exterior telefonou a David Miliband, secretário de Relações Exteriores da Inglaterra; a Condoleezza Rice, secretária de Estado dos EUA; a Ban-ki-Moon, secretário-geral da ONU; a Javier Solana, chefe de política internacional da União Européia, e aos ministros do Exterior da Rússia, da China, França e Alemanha.

Ontem [27/12], no centro de imprensa de Sderot, Tzipi Livni falou a 80 representantes de países e a altos funcionários de suas embaixadas.

"Concluímos que é essencial divulgar o contexto no qual estamos tomando as necessárias decisões em Israel, e que os acontecimentos seguem uma sequência lógica", disse Palmor.

Para Israel, a "seqüência lógica" que levou ao brutal bombardeio da Faixa de Gaza não começa pela ocupação de território palestino, em 1967 – única seqüência lógica que os palestinos bombardeados conhecem.

Para Israel, a "seqüência lógica" começa há três anos, com a decisão de retirar os acampamentos militares e as colônias de civis da área da Faixa de Gaza.

"Poderíamos começar por 1948 [ano em que a Palestina foi dividida, para criar Israel], mas queremos concentrar-nos na situação atual. Comecemos, então, pela retirada, em 2005" - prosseguiu o porta-voz. "Palestinos militantes chegaram a dizer que a evacuação seria vitória sua, resultado dos ataques de foguetes e fogo continuado, sobre cidades do sul de Israel."

Depois de cercar Gaza – o chamado "Muro da Vergonha", na Palestina – antes de retirar-se da Faixa, Israel passou a impor um bloqueio cada vez mais forte, que impedia, no final de 2005, que quem trabalhasse em Gaza entrasse em território israelense; em 2006, foi bloqueado todo o tráfego de caminhões e o abastecimento; finalmente, em meados de 2007, foram bloqueados até os caminhões de ajuda humanitária.

Perguntado sobre se a campanha de propaganda internacional estaria dando resultado, o porta-voz respondeu que ainda é cedo para avaliar.

Seja como for, os ataques começaram no sábado, no mesmo momento em que matérias que repetiam a fala ouvida no centro de imprensa de Sderot e passavam a ser repetidas, sem alteração, em todo o mundo.

Condoleezza Rice culpou o Hamás "por quebrar o pacto de cessar-fogo e pelo reinício da violência". Máhmude Abbas, presidente da Autoridade Palestina, disse que os bombardeios poderiam ter sido evitados.

"Sabíamos que havia esse perigo e que teríamos de evitar qualquer pretexto que Israel pudesse usar", disse Abbas ontem [27/12], enquanto prosseguia o bombardeio sobre Gaza.

(*) Fonte: Jornal The Guardian, 28/12/2008, original aqui.

--~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~
Lembre-se que você tem quatro opções de participação: (I) Um email de cada vez; (II) Resumo diário; (III) Email de compilação; (IV) Sem emails (acesso apenas online). Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
Informe-Consciencia-unsubscribe@googlegroups.com ou envie um email solicitando. Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com/group/Informe-Consciencia?hl=pt-BR

[www.consciencia.net]
manunegra  1706
12-28-2008 02:29 PM ET (US)
Bush guiña el ojo a la matanza israelí en Gaza mientras Obama y Clinton guardan silencio

Matthew Rothschild
ICH/The Progressive

Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens


Israel bombardeó despiadadamente Gaza el sábado, matando por lo menos a 205 palestinos e hiriendo a por lo menos 350 más, según funcionarios sanitarios palestinos.

Esa reacción totalmente desproporcionada a los ataques inmorales, pero en su mayor parte inefectivos con cohetes contra Israel va a inflamar aún más, con entera seguridad, Oriente Próximo.

Nadie, tampoco, dejará de darse cuenta del guiño de ojos del gobierno de Bush ante los ataques de Israel.

El portavoz de la Casa Blanca, Gordon Johndroe, culpó por todo a Hamas

“Los continuos ataques con cohetes de Hamas contra Israel deben cesar si ha de detenerse la violencia,” dijo Johndroe.

Luego, incluso mientras presentaba una señal a la ligera hacia la salvaguarda de civiles, no mostró desagrado ante la persecución israelí contra Hamas: “EE.UU. insta a Israel a evitar víctimas civiles mientras ataca a Hamas en Gaza,” dijo Johndroe.

Mientras tanto, el presidente electo Barack Obama y la futura Secretaria de Estado, Hillary Clinton, guardaron un vergonzoso silencio en las primeras horas después del ataque.

La reacción de Bush, y la falta de reacción de Obama y Clinton, subrayan el punto que Hanan Ashrawi subrayó el sábado: “Israel se ha acostumbrado a que no se le responsabilice y a ser un país que está por sobre la ley,” dijo la legisladora palestina y activista por los derechos humanos. Calificó los bombardeos de “masacre”.

Con la condonación por Washington del ataque israelí, la violencia sólo puede empeorar.

El Ministro de Defensa israelí, Ehud Barak, dijo: “La operación será más profunda y se expandirá tanto como sea necesario… No será breve, y no será fácil.”

Un portavoz de Hamas juró venganza y dijo que Hamas “continuará la resistencia hasta la última gota de sangre.”

Este ciclo de violencia se hará cada vez más sangriento hasta que Washington termine por imponerse sobre Israel para que se realice un acuerdo justo con los palestinos.

Bush no se siente inclinado a hacerlo. Tampoco, al parecer, Obama.

http://www.informationclearinghouse.info/article21547.htm


Envía esta noticia
Compartir esta noticia: delicious digg meneame
RSS link What's this?
   << 1722-1737  1706-1721 of 2264  1690-1705 >>
QuickTopicSM message boards
Over 200,000 topics served
Learn more Frequently asked questions  Acknowledgements
What they're saying about QuickTopic
 Questions, comments, or suggestions? Contact Us
Read our use policy before beginning. We value your privacy; please read our privacy statement.
Copyright ©1999-2008 Internicity Inc. All rights reserved.