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Topic: manunegra
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Revista FEEMA
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Revista FEEMA‎
de Rio de Janeiro (Brazil : State). Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Projetos Especiais, Rio de Janeiro (Brazil : State). Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, Rio de Janeiro (Brazil : State) - 1991 - Visualização de trechos
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Imprensa
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Imprensa‎
1989 - Visualização de trechos
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Tancredo vivo, casos e acaso
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Tancredo vivo, casos e acaso‎
de Ronaldo Costa Couto - 1995 - 334 páginas - Visualização de trechos
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Veja‎
1995 - Visualização de trechos
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Anuário estatístico do Brasil
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Anuário estatístico do Brasil‎
de Brazil. Directoria Geral de Estatística, Instituto Nacional de Estatística (Brazil), Instituto Nacional de Estatística (Brazil)., Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Conselho Nacional de Estatística (Brazil). - 1997 - Visualização de trechos
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História da vida privada no Brasil
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História da vida privada no Brasil‎
de Fernando A. Novais, Laura de Mello e Souza - 1997 - Visualização de trechos
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História da vida privada no Brasil
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de Fernando A. Novais - 1998 - Visualização de trechos
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História da vida privada no Brasil: Contrastes da intimidade contemporânea
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História da vida privada no Brasil: Contrastes da intimidade contemporânea‎
de Fernando A. Novais, Lilia Moritz Schwarcz, Laura de Mello e Souza - 1997 - 850 páginas - Visualização parcial
Vol. 1, 4a. reimp.; v. 2, 3a reimp.; v. 3, 1a reimp.
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Quac!‎
de Antonio Fernando, Augusto Sérvulo - 1978 - Visualização de trechos
"Bolação de Antonio Fernando & Augusto Sérvulo."
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Revistas literárias brasileiras: 1970-2005
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de Paco Cac - 2006 - Visualização de trechos
"Patrocínio, Secretaria de Estado de Cultura do DF, FAC--Fundo da Arte e da Cultura."
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manunegra  1733
04-20-2009 07:49 PM ET (US)
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Abril 20, 2009
Aldo, o bandeirante vermelho
Hoje, Dia do Índio [19], convém discutir aqui os artigos escritos recentemente pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) . Ele jura que a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol é “um grande equívoco que agride o interesse nacional”. O bandeirante vermelho foi mais longe: numa afronta clara ao STF, anunciou visita de solidariedade aos arrozeiros. Os guerrilheiros tombados no Araguaia tremeram em seus túmulos. Foi para isso que eles imolaram suas vidas? Por José Ribamar Bessa Freire (*).


Hoje, Dia do Índio, convém discutir aqui os artigos escritos recentemente pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) . Ele jura que a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol é “um grande equívoco que agride o interesse nacional”. Defende a permanência dos arrozeiros de Roraima na área, argumentando que eles “ocupam a terra e a fazem produzir riquezas em benefício de todos”. Ataca os índios - a quem chama de “silvícolas”, por impedirem “que floresça a vivificação clássica penosamente iniciada pelos bandeirantes para sinalizar a posse inalienável do território”.

Que diabos vem a ser “vivificação clássica”? Isso se come com farinha? Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o bandeirante vermelho do século XXI, não explica, mas reclama que “até as pedras sabiam que o Supremo iria manter a desastrada decisão do Executivo de agredir a formação social brasileira ao expulsar os não-índios”. Por isso, formulou projeto de lei, propondo que a partir de sua aprovação, toda e qualquer demarcação seja homologada pelo “Congresso Nacional, última instância da soberania popular, que tem o dever de reparar este erro calamitoso do Executivo e do Judiciário”.

Ou seja, se aprovado tal projeto, feito em cumplicidade com Ibsen Pinheiro (PMDB – vixe, vixe!), quem deve decidir se os índios têm direito à terra são os deputados Fábio Faria – aquele ex-namorado da Adriane Galisteu - Edmar Moreira, o dono do Castelo, Inocêncio Sagrada Família Oliveira, além da bancada ruralista e dos responsáveis pela farra de passagens, que gastaram R$ 80 milhões de verbas públicas em bilhetes aéreos e aluguel de jatinhos, voando até para o exterior com família e xerimbabos. Nas mãos e nos bolsos desses indivíduos “insuspeitos”, de conduta ‘ilibada’, ficará o destino dos índios.

O que é bom para os índios

O bandeirante vermelho foi mais longe: numa afronta clara ao STF, anunciou visita de solidariedade aos arrozeiros. Os guerrilheiros tombados no Araguaia tremeram em seus túmulos. Foi para isso que eles imolaram suas vidas? Para que um deputado de seu partido se transformasse em office-boy – perdão, é um estrangeirismo – em moleque de recados dos grileiros e do agronegócio? Para que esse deputado esgrimisse contra os índios os mesmos argumentos usados pelos militares contra os combatentes do Araguaia de que atentam contra a soberania e a segurança nacional?

Aldo Rebelo, cujo projeto proíbe que os índios – os arrozeiros não! – ocupem a faixa de fronteira, jura que os direitos indígenas garantidos pela Constituição de 1988 conflitam com os interesses nacionais, comprometem a soberania da Pátria e ameaçam “implantar no Brasil um Estado multiétnico e uma Nação balcanizada”. Tamanha obtusidade sugere que o deputado ficou assim porque comeu coquinho de caroço de tucumã. Até as pedras, os postes e as antas sabem que os índios não são donos das terras que ocupam - elas são propriedades da União – e o que é bom para os índios, é bom para o Brasil.

Aldo só é coerente quando, para defender os arrozeiros, invoca a ação histórica dos bandeirantes, que formavam o esquadrão da morte rural, responsável pelo extermínio dos índios, sem qualquer preocupação em ampliar o território brasileiro. O que queriam era caçar índios para vendê-los como escravos. Os arrozeiros também estão se lixando para o Brasil, querem apenas lucrar. Para isso, invadiram terras indígenas, queimaram malocas, poluíram rios, agrediram o meio-ambiente e destruíram espécies animais e vegetais. Aldo vê interesse nacional ali onde só existe o negócio privado.

O projeto da dupla Aldo/Ibsen com uma canetada descarta os índios do mapa do Brasil. Lembra Paulo de Frontin (1860-1933), ex-prefeito do Rio, no Quarto Centenário do Brasil. No discurso de abertura das comemorações, em 4 de maio de 1900, ele declarou: “O Brasil não é o índio; este, onde a civilização ainda não se extendeu, perdura com os seus costumes primitivos, sem adeantamento nem progresso.(...)Os selvícolas, esparsos, ainda abundam nas nossas magestosas florestas e em nada differem dos seus ascendentes de 400 anos atrás; não são nem podem ser considerados parte integrante da nossa nacionalidade; a esta cabe assimila-los e, não o conseguindo, eliminá-los”.

Com nova ortografia, mas com as mesmas palavras, esse é o discurso de Aldo Rebelo. Por onde ando, nas salas de aula, na universidade, nas aldeias indígenas, está todo mundo “pê” da vida com o bandeirante vermelho, porque ele está sujando e emelecando o PCdoB, um partido que nos deu grandes militantes como Vanessa Graziottin, no Amazonas, e Jandira Fegalli, no Rio de Janeiro, em quem tenho orgulho de ter votado. Aldo defende a ordem econômica que até Obama critica. Por isso, a raiva da gente é maior, como lembra aqui meu amigo Daniel Munduruku, um “silvícola” que cursa doutorado na USP, cuja carta reproduzo a seguir.

    Uma carta para Aldo

    Prezado Aldo (penso que posso chamá-lo assim já que você me chama de eleitor). Fiquei abismado - como eleitor seu que sou desde bastante tempo - ao ler um artigo que circula pela internet, assinado com seu nome. Para melhor compreender sua posição gostaria de fazer três perguntas básicas.

    Minha primeira questão: o artigo é seu mesmo? Não terá alguém escrito e você assinado como sempre acontece no Congresso brasileiro e, pior, sem ler? Minha pergunta procede porque não consigo acreditar que o deputado que escolhi para me representar - sou um indígena brasileiro morando em São Paulo - e cuja atuação política para mim foi sempre ilibada, tenha um pensamento tão quadrado como o capitalismo que ambos "rejeitamos" ideologicamente. Ou será que o nobre deputado terá cedido ao "canto da sereia"?

    Segunda questão: Você conhece as populações indígenas brasileiras na sua essência ou é apenas mais um dos tantos brasileiros que aprendeu na escola que índio é um empecilho ao progresso? Pergunto tal coisa porque os seus argumentos contra a homologação da Raposa são tão pobres que quase me envergonho do meu voto. Eles mostram que MEU deputado é tão vazio quanto os estereótipos, os preconceitos e as balelas colonialistas que ainda grassam por nossa pátria. Pensei ter votado num aliado de nossas causas, mas também - parece - cometi um erro.

    Terceira questão: Quem é você de verdade? Você mudou ao longo de sua trajetória política? Pensa agora como um militar? Pensa agora como um empresário do setor agrícola? Você tem sociedade com algum desses malfeitores do território brasileiro e que são chamados de heróis (tipo: bandeirantes dos séculos passados, arrozeiros, madereiros, garimpeiros, mineradores, latifundiários)?

    Por favor, me convença que não cometi um erro. Me convença de que minha visão a seu respeito está errada. Me convença de que sabe que as pedras são tão inteligentes quanto você. Me convença que a população de São Paulo está bem representada por um político idôneo, inteligente, humano (no sentido filosófico e não no econômico). Me convença que valeu a pena escolhê-lo no meio de tantos políticos.

    Sei que você poderá pensar que sou apenas um eleitor, que não fará diferença a minha crença em sua pessoa, que nada mudará se eu acreditar ou não em você. Não me importo. O que me importa mesmo é poder acreditar que ainda vale a pena acreditar na política. Sua resposta poderá se vital para você mesmo. Sem mais para o momento fico no aguardo de sua resposta. Daniel Munduruku.



________________________________
Índios e nação (6/4/09); O erro em Roraima (29/03/9); Decisão sobre Raposa agride interesse nacional (29/3/09); Os índios e a Doutrina Melo Franco (17/2/09) publicados em O Globo, O Estado de São Paulo e no órgão do PCdoB – Vermelho. (*) Publicado no Diário do Amazonas em 19/04/2009.
Caros Amigos  1732
02-26-2009 09:42 PM ET (US)


O repórter está morto

Claudio Julio Tognolli

 

O jornalismo investigativo está morto. Sobrevive, tão somente, em salas de aula. Apenas porque lá repórteres engravatados vão dar palestras. Diante do silêncio maravilhado dos alunos, mostram o que é deter o júbilo de ser um ungido pelos deuses pagãos do jornalismo. Mas esta farsa luminosa, lacunarmente encenada, logo se dissipa como água na água: o aluno logo aprende que o jornalismo investigativo é um defunto tresnoitado. O que sobrou para os jornalistas investigativos, agora, é copiar grampos degravados por peritos policiais sonolentos. Ou copiar boletins de ocorrência. Tanto faz: o que era para ser ponto de partida (os dados oficiais), virou ponto de chegada.


O curativo arrepio de delícia, que percorre a espinha do repórter, sempre que pega um furo, passou a ter um preço. E este tem deixado diretores de redação numa rarefação de causar rodopios. Levantamento feito pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico, mostra que há no Brasil quase 2,8 mil jornalistas processados. Um recorde mundial. Os dados são de dois anos atrás. Tudo porque, mesmo defendendo publicamente a tão aclamada “transparência”, diretores de jornais sucumbiram, ano passado, à assoprada dada pela entidade patronal que congrega os donos de jornal. A saber: não revelem novamente os dados dos processos sofridos por jornalistas. Isso custa caro ao preço das ações das empresas.


Sabe-se que esse número de processos contra jornalistas dobrou. Ninguém é mais processado pela Lei de Imprensa. Desde a Constituição de 1988, advogados preferem processar jornalistas pelo artigo quinto, inciso décimo, da Carta Magna, que prevê a inviolabilidade de imagem. Ações cíveis contra empresas de jornalismo viraram um bom investimento. Estima-se que, no Brasil, pelo menos RS$ 70 milhões estejam sendo postulados na Justiça contra jornalistas.


O número total de ordens judiciais de interceptação telefônica no país em 2008 ultrapassou 400 mil, segundo levantamento feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) junto às operadoras, entre 1º de janeiro e 5 de dezembro do ano passado, da CPI e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o relatório da Anatel, foram determinados 398.024 grampos em celulares e 11.905 em telefones fixos, totalizando 409.929 pedidos de interceptações.


Numa sondagem feita com 8 repórteres investigativos, referiram-me que, de tudo o que publicaram ano passado, em seus jornais e revistas, mais de 90% “veio pronto”. Ou seja: essa produção industrial de grampos acabou escoando nas páginas da mídia. Agora entendemos porque o jornalismo investigativo dá sinais alusivos de agonia, e uma inervação indissolúvel toma conta dos advogados contratados para escangalhar o couro de repórteres.

A filosofia que preside um inquérito, naturalmente, é aquela chamada, em lógica, de princípio do terceiro excluído, ou, em latim, “tertio non datur”. Ou lidamos com culpados, ou com inocentes. Ou com o bem, ou com o mal. Jamais se pensaria em absurdidades logicamente possíveis, como, digamos “bondade que mata”. O ministério público, titular da ação penal, está aí para isso. A defesa dos acusados que se vire: a princípio todos são culpados. Esse mecanismo veio funcionando bem, com seus excessos, é claro, até que vieram os grampos. E até que vieram as “bolachas” (CD’s) com todas as gravações e grampos e o escambal a quatro. Esse escarmento, levado aos repórteres, criou uma enxurrada de “jornalistas investigativos”, cujo único papel tem sido reproduzir o que se recebeu da polícia ou das procuradorias.


Roda nas redações do Brasil, a boca pequena, um documento de onze páginas, sobre a chamada Operação Satiagraha, que levou Daniel Dantas à cadeia. Nele alguns jornalistas são citados como partícipes do movimento que teria levado à privatização da Satiagraha, daí o afastamento do delegado Protógenes Queiróz. O documento tem servido como “mea culpa” para todo o repórter que o lê. A concorrência para dar o furo tem feito o repórter surfar os limites do impossível. Tem nos aproximado do velho alpendre filosófico de Nietszche quando alertou que, toda vez que nos aproximamos por demais do monstro que queremos combater, corremos o risco de nos tornarmos iguais a ele. A indústria dos grampos, e a cobrança no esquema da concorrência pelo furo, deixou o repórter pairando no intermédio de ambos: hoje é juiz. Amanhã será carrasco. O populacho que consome shows aplaude a transmutação. Os advogados de redações coçam os rubis dos anéis.

Claudio Tognolli é repórter especial do site Consultor Jurídico, professor da ECA-USP, e co-roteirista do filme sobre a vida do policial Francisco Garisto, ora filmado pelo diretor Mauro Lima (Meu nome não é Johnny). tognolli@uol.com.br

 

 
  
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consciencianet  1731
02-19-2009 05:08 PM ET (US)
Dignidade infinita
Todos se lembram da imagem do rapaz chinês enfrentando os tanques na Praça Tiananmen, em 1989. A imagem correu o globo, em parte porque interessava ao mundo ocidental mostrar as (mui reais, diga-se) violações dos direitos humanos na China. Os incontáveis heróis populares palestinos - e, muito especialmente, suas heroínas - não têm a mesma sorte, dado o interesse das potências ocidentais em esconder sua cumplicidade com a política de limpeza étnica de Israel.

Vejam a determinação com que essa mulher enfrenta, de peito aberto, à frente de uma população desarmada, as baionetas do exército sionista. Vejam a determinação nos seus olhos. Vejam como os soldados israelenses da ocupação evitam o contato visual, envergonhados, desumanizados pela tarefa de verdugos:

Assista o vídeo aqui: http://consciencianet.blogspot.com/2009/01...idade-infinita.html

O vídeo e o texto acima estão no blog O Biscoito Fino e a Massa.
manunegra  1730
02-16-2009 09:57 PM ET (US)
Copa de 2014: outro corredor polonês às avessas?

É preocupante que haja uma redução de impostos para um evento orçado em R$ 100 bilhões (por baixo), enquanto as taxas de energia e de telefonia, por exemplo, continuam exorbitantes para os mais pobres. Por Gustavo Barreto (*), da redação Consciência.Net, no Rio de Janeiro.

Joseph Blatter, presidente da Fifa, anuncia Copa de 2014 no BrasilRepresentantes dos ministérios do Esporte e da Fazenda, da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e do Comitê de Organização da Copa 2014 estudam uma proposta de isenções de tributos federais para a próxima Copa Mundial de Futebol, que será no Brasil. Haverá uma reunião em Brasília sobre o tema nesta terça (17), às 14h30.

O detalhe é que as isenções de tributos federais já fazem parte das 11 garantias governamentais exigidas das cidades candidatas a sediar a Copa 2014. Ou seja, o Governo Federal já prometera à Fifa tal medida.

É preocupante que haja uma redução de impostos para um evento deste porte, enquanto as taxas de energia e de telefonia, por exemplo, continuam exorbitantes para os mais pobres.

Há um sentimento, no meio desta disputa, de que estamos nos tornando um país desenvolvido, visto que diversos indicadores atestam esta realidade. É importante, no entanto, não confundir as coisas: temos condições para nos tornar uma grande potência, mas não será entregando nossa capacidade de gerar riquezas que chegaremos lá.

Há décadas que estes grandes eventos não contribuem em praticamente nada para o desenvolvimento local. Basta pegar o caso do Pan-americano no Rio de Janeiro, em 2007. Aqui, foi criado uma espécie de "corredor polonês" às avessas. Ou seja, aqueles que estivessem na rota do Pan poderiam desfrutar de uma cidade sempre muito hospitaleira e agradável, enquanto os próprios moradores de áreas mais pobres ouviram apenas as promessas de melhorias, que chegaram de forma tímida, a um custo financeiro exorbitante e até hoje com muitos problemas na sua prestação de contas.

Segundo Ralph Lima Terra, vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), os dados preliminares indicam que será necessário investir, por baixo, R$ 100 bilhões em projetos e obras que viabilizem a realização do evento. Analistas esportivos ouvidos pelo jornal Gazeta Mercantil (12/09/2008) estimam que será necessário construir de 10 a 12 novos estádios.

Fica, então, a idéia: por que o governo não toma esta iniciativa como um "legado social" da Copa de 2014 e faz o mesmo tipo de proposta no caso de tarifas básicas de energia e telefonia para a parcela menos favorecida da população?


(*) Gustavo Barreto é radialista.

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manunegra  1729
02-14-2009 02:04 PM ET (US)
Escena de la obra teatral de tema lésbico De hortensias y de violetas, de Esther Suárez.

La Habana, enero.- A unos 15 años del estreno de Fresa y Chocolate, un filme que lanzó a la palestra pública el tema de la homofobia en la isla, lesbianas y gays cubanos sienten que, aunque se viven "mejores tiempos", la aceptación social de la homosexualidad aún está lejana.

 

Campañas de prevención sida entre hombres que tienen sexo con otros hombres, el trabajo del Centro Nacional de Educación Sexual (Cenesex) y contados esfuerzos desde los medios de comunicación masiva son reconocidos como avances por no pocas personas consultadas por SEMlac.

 

Pero, junto a la incipiente apertura, la comprensión de la diversidad sexual sigue chocando con una cultura machista que, durante décadas --para no decir siglos--, ha contrapuesto la homosexualidad al concepto de "ser hombre" y "ser mujer" o, lo que se entiende como lo mismo, "ser madre".

 

"Somos muy intolerantes y absolutos. No nos gusta lo diferente", dijo un hombre de 22 años, tras considerar a la sociedad cubana como "intolerante".

 

"En el edificio donde vivo, varias personas nos acusan a mi pareja y a mí de asiduas broncas que, en realidad, protagoniza la pareja heterosexual y muy respetada que vive en el apartamento de abajo. Así, es muy difícil", contó a SEMlac una entrevistada, de 56 años.

 

Por su parte, un joven de 30 años aseguró haber sido rechazado en puestos de trabajo por vivir hace nueve con una persona de su mismo sexo. "No te lo dicen abiertamente, pero uno sabe cuál es el motivo. Hay muchos casos que son ilustrativos y no merece la pena mencionar por ridículos y crueles", dijo.

 

"En esta sociedad todo lo que sea diferente en el ámbito sexual es discriminado. Sólo hay que ser hetero y meterse en la piel de un homo para saber cuán difícil resulta serlo", comentó un hombre de 36 años, incluido en el sondeo periodístico de SEMlac.

 

Un total de 100 gays y 50 lesbianas fueron entrevistados por la corresponsalía de SEMlac en varias provincias cubanas, entre 2005 y 2007, como parte de una investigación periodística que contó con el apoyo del Cenesex.

 

Pese a que todas estas personas han sentido alguna vez el rechazo social, expresado por detalles tan sencillos como gestos o miradas, la muestra se dividió casi en partes iguales ante la pregunta de si se habían sentido discriminados alguna vez por su orientación sexual.

 

Sin embargo, la diferencia aparece en las respuestas, por sexo y edad. Mientras 73 por ciento de los hombres aseguraron sentirse discriminados, solamente lo percibió así 38 por ciento de las mujeres consultadas, con una tendencia al aumento de esa apreciación en las mayores de 30 años.

 

Más de la mitad de la muestra, 61,3 por ciento, aseguró sentir el rechazo de las personas cuando conocen de su homosexualidad. La proporción se elevó, en el caso de las mujeres, hasta 74 por ciento.

 

Expulsiones de escuelas y centros de trabajo y la no aceptación en determinados empleos estuvieron entre los ejemplos mencionados por algunas de las personas -en su mayoría mayores de 50 años--, que aseguraron no haber recibido "un trato adecuado" y, por ende, sí "discriminatorio" de la sociedad.

 

Tanto gays como lesbianas mencionaron también la carencia de información sobre la homosexualidad, el desconocimiento sobre la existencia de centros dedicados a la atención diferenciada a unos y otras y la inexistencia de una atención especial por parte de las instituciones u organizaciones sociales.

 
Lesbianas y gays en sociedad

Aunque resulta difícil definir quiénes son menos aceptados por la sociedad cubana actual, las respuestas recogidas y las tendencias del proceso de recopilación de información parecen demostrar que el rechazo social es mayor hacia la homosexualidad femenina que hacia la masculina.

 

Un detalle interesante es que, mientras la mayoría de las preguntas hechas por SEMlac entre la comunidad gay cubana fueron respondidas, la corresponsalía contactó a más de 200 lesbianas y apenas contestaron 50.

 

Como norma resultó muy difícil encontrar mujeres decididas a reconocer su orientación homosexual, compartir su historia y colaborar con un trabajo periodístico sobre aceptación social de la homosexualidad, característica que marca una diferencia con el universo gay, más abierto y colaborador.

 

Mientras 68,6 por ciento de las personas entrevistadas asume públicamente su condición homosexual, sin diferencias importantes por sexo, la mayoría (66%) consideró que gays y lesbianas son discriminados por igual. El 18,6 por ciento dijo que las lesbianas son mas discriminadas y 15,3 por ciento consideró que los gays.

 

"Somos discriminadas por machismo. Las mujeres no tenemos derecho ni a ser lesbianas", dijo a SEMlac una de ellas, de 56 años. En tanto, un gay de 47 resumió: "las lesbianas son las más discriminadas, por su condición doble de mujer y homosexual".

 

Las diferencias por sexo afloraron también ante la pregunta de si les preocuparía o no que se conociera públicamente de su orientación homosexual: la preocupación pasa de 24 por ciento de las lesbianas a 15 por ciento de los gays.

 

El rechazo, la intolerancia, perder el empleo o simplemente sentirse señalados son los argumentos expuestos por 19 por ciento de quienes fueron entrevistados y aseguraron sentirse preocupados ante la posibilidad de que en su barrio, centro de trabajo e incluso seno familiar, llegara a conocerse de su orientación sexual.

 

Al mismo tiempo, 26 por ciento confirmó haber sido víctima de alguna forma de violencia, fundamentalmente verbal. Doce personas relataron que han recibido agresiones físicas, todas provenientes de familiares, y dos hombres dijeron que fueron agredidos sexualmente.

 
Dentro de casa

Independientemente de los pocos casos de violencia homofóbica reconocidos, 46 por ciento de las mujeres sintieron rechazo de su familia por su condición homosexual, frente a 22 por ciento de los hombres. En tanto, ellos tendieron más a ocultar su orientación.

 

Los principales miembros de la familia (madre, padre, hermanos y otros) han adoptado conductas dispares, según la situación. En algunos casos, ha sido la figura paterna quien más comprensible se ha mostrado. En otros, la madre no lo sabe, o lo oculta para no hacer sufrir al resto de los familiares.

 

Mientras el hecho se mantiene a nivel de sospecha, la primera reacción es el rechazo a las amistades con quienes se relacionan hijas e hijos, verlo como un capricho o, incluso, intentar "curarlo". El 20,6 por ciento fue llevado a psicólogos y psiquiatras para solucionar un "problema" que se veía venir.

 

El silencio es una opción recurrente. "Mi madre nunca ha querido hablar del tema, pues ella rechaza abiertamente a las lesbianas. Sin embargo, mi hermano lo supo desde el primer momento y ha sido un gran apoyo para mí: nos contamos todo", dijo una mujer de 29 años.

 

Mientras muchos gays encuentran comprensión en la madre, también se dan los extremos: "mi padre siempre me ha maltratado y mi madre se niega a caminar conmigo por la calle. No me dejan ni conversar con mi hermano menor, por miedo a que lo contamine", dijo un hombre de 21 años.

 

Llorar, gritar, amenazar, prohibir, no hablar del tema son reacciones frecuentes cuando la homosexualidad llega al seno familiar. Callar, ocultar, desmentir y alejarse del hogar es el camino que han encontrado muchos homosexuales para "no hacer sufrir a mi familia".

 

No pocas personas homosexuales de ambos sexos reconocieron haber optado por fingir noviazgos y bodas, e incluso efectuarlas realmente manteniendo una relación que no desean, solo para mitigar la sospecha que se tenía o acallar los comentarios que ya no podían parar.

 

Aunque sólo 2,6 por ciento de la muestra debió esperar a la adultez para descubrir su orientación homosexual, 54 por ciento ha estado casado alguna vez o ha tenido relaciones de pareja estables con personas del otro sexo. Así, 32 por ciento de las mujeres y 15 por ciento de los hombres tienen hijos.

 
A pesar de los pesares

Rechazadas o no por sus familias, víctimas o no de algún tipo de discriminación, con historias tristes y felices, 90 por ciento de las lesbianas y 63 por ciento de los gays entrevistados por SEMlac aseguraron sentir plena realización en el plano personal.

 

De nacer otra vez y estar en posición de elegir, una gran mayoría (72 %) querría ser nuevamente homosexual. Sólo 16 por ciento quiso ser heterosexual y 10 por ciento bisexual, pero las mujeres (88 %) se mostraron más satisfechas con su homosexualidad que los hombres (64 %).

 

"Me gusta mi manera de ser y sentir y mi forma de ver las cosas. No me asombro de nada y acepto los gustos ajenos; no sé si tenga esto que ver con mi condición de gay, pero, a pesar de toda la adversidad, me siento muy bien siendo homosexual", opinó un hombre de 32 años.

 

Por su parte, una lesbiana de 32 años explicó su opción con el amor al universo femenino: "entre nosotras hay de todo, como también entre los hombres, pero somos más propensas a la amistad, a relaciones que van mucho más allá del sexo. Si tuviera varias vidas, ojalá siempre fuera así."

 

 
Homosexualidad: Historias de mujeres
SEMlac – Corresponsalía Cuba

La sociedad cubana aún no está preparada para aceptar relaciones de pareja homosexual.

La Habana, enero.- Tiene 40 años, varios libros publicados y una vida compartida con la que una vez fue sólo su mejor amiga y hace varios años se ha convertido en la familia, la amante y la única persona en quien confía plenamente. "Ella es mi país, mi isla", cuenta a SEMlac esta mujer lesbiana.

 

El descubrimiento de su amor no fue fácil. Tenía 22 años y la reacción de la amiga en aquel momento fue alejarse, unirse a un hombre y tener su hijo. Su primera relación lésbica le trajo las miradas de rechazo, pero, sobre todo, la violencia de una madre que no supo entenderla.

 

"Me pegó varias veces, me botó de la casa y me quedé sola, sin un lugar a donde dirigirme. Las injurias, las calumnias y los golpes se multiplicaron con los años, hasta que ahora, ya vieja y camino a una demencia senil, ha empezado a tomarlo todo a la ligera. Ahora, yo soy quien la cuida", cuenta.

 

Además de la difícil relación con su madre, notó que la gente empezó a observarla de modo diferente: "me miraban y me miraban mucho. Empezaron a saludarme a distancia o, simplemente, no me saludaban. Son cosas que están ahí, pero de las que me he ido liberando".

 

Sólo una persona de la biblioteca donde trabajaba le hizo mucho daño. Inventó historias y alejó a unas adolescentes que la buscaban para orientarse en el mundo de la lectura. "Esas muchachas hoy viven en Estados Unidos y un día, de visita en Cuba, me pidieron perdón por no haberme comprendido entonces", afirma.

 

Así y todo, se siente feliz y realizada. Comparte con su pareja la educación de un hijo adolescente que no necesitó explicaciones especiales para entender la relación entre su madre y su mejor amiga. Enfrenta la vida con sinceridad y sigue dejando la vida en sus poemas.

 

"Soy yo misma. No tengo miedo ni temores, ni camino por la calle pensando qué dirán o por qué la gente me mira tanto. Soy libre porque la libertad está dentro de mí", asegura.

 
Dos

Ronda los 60 y aún no se libra del peso de los recuerdos.

 

Era muy joven cuando, en 1968, fue acusada junto a cinco amigas y encarcelada por un año por el único delito de tener una conducta homosexual. Sabe que aquellos tiempos de "gran intolerancia" pasaron, pero también sabe que los meses de cárcel la marcaron para siempre.

 

"Me casé estando presa para ver si mi vida cambiaba, pero fue peor. Cuando tenía pase lo rechazaba, para no tener que encontrarme con mi esposo", cuenta esta habanera que se divorció tras nueve meses de matrimonio y tener relaciones sexuales con su esposo apenas cuatro veces.

 

Convencida de que nació lesbiana y a pesar de tantos años de vida y experiencia, se sigue considerando "anormal". Lidia (nombre ficticio) ha logrado construir una vida en pareja, estable y discreta, sin ocultarse de nadie, pero con "respeto a los otros".

 

Así y todo, los fantasmas del pasado van y vienen. Hace dos o tres años acudió, por problemas de salud, a un psicólogo, en un hospital del sistema nacional de salud pública, y presenció cómo en la hoja clínica quedaba registrado el síntoma del desorden: "rasgos de homosexualidad".

 

"Yo soy una persona mayor, enferma, y sentí vergüenza de pensar en cuántos médicos iban a leer aquel expediente. No me ayudó, más bien me espantó. No volví más. Es muy triste ver cómo esta sociedad, en gran proporción, todavía nos echa a un lado", afirmó.

 
Tres

Tiene 20 años, un ex novio y está segura de que le gustan las mujeres. "Él lo sabía y no le importaba. Ahora las cosas no se ven tan complicadas como antes. El sexo es para disfrutarlo con quien una quiera y sin traumas", dice a SEMlac una joven universitaria.

 

"Quizás soy bisexual. No lo sé", comenta con una despreocupación que pudiera marcar la diferencia con generaciones anteriores. Como tantas muchachas de su edad, pasó la adolescencia becada en una escuela, alejada de su familia y también de muchos prejuicios.

 

Poco o casi nada sabe de las historias del pasado. Ve como algo normal, y que tenía que haber pasado hace mucho tiempo, la apertura de un espacio fijo en La Habana para el debate de películas sobre diversidad sexual, la incipiente presencia del tema en los medios y la aparición pública de la bandera gay.

 

Para ella, las parejas de gays y de lesbianas son iguales a cualquier otra. Deberían entrar sin problemas a los centros nocturnos o contar con sus propios espacios recreativos. "O las dos cosas; es un problema de libertad. Uno debe tener el derecho de divertirse como quiere. Yo estoy abierta a lo que venga", asegura.
manunegra  1728
02-14-2009 02:03 PM ET (US)
  Homosexualidad en Cuba: de la tolerancia a la comprensión"
(dossier especial elaborado por la corresponsalía de SEMlac en Cuba)

 
Homosexualidad: La oportunidad está en las nuevas generaciones

Los jóvenes cubanos viven hoy un proceso de apertura hacia la diversidad sexual.

La Habana, enero.- Aunque aún pueden encontrarse personas jóvenes con altos niveles de prejuicio hacia gays y lesbianas, e incluso sentimientos homofóbicos, una buena parte de las más nuevas generaciones cubanas podría estar viviendo un proceso de apertura hacia la diversidad sexual.

 

Descendientes de un grupo que hoy oscila entre los 40 y 45 años, son protagonistas de toda una revolución en el ámbito de la sexualidad. Las personas menores de 30 años se muestran más abiertas a la comprensión de la homosexualidad que otros sectores de la sociedad cubana.

 

"Crecí en una familia donde las relaciones sexuales no son un trauma. Desde niña oí hablar de sexo, condón y protección. Cuando hace unos años descubrí que, además de gustarme los hombres, me gustan las mujeres, mi mamá me dio todo su apoyo", cuenta una estudiante universitaria de 21 años.

 

La joven se reconoce parte de una generación para la cual la bisexualidad se ha vuelto una opción bastante común y, por encima de cualquier otra valoración, en una opción personal que pasa por la decisión de cada cómo cuál quiere vivir su vida y, sobre todo, disfrutarla.

 

Como ella, 66,9 por ciento de las personas menores de 29 años que contestaron un sondeo periodístico de SEMlac definió la homosexualidad como una orientación sexual hacia el mismo sexo, la consideró algo "normal" y "una cuestión de decisión personal".

 

Un total de 500 personas fueron entrevistadas en todo el país, 53 por ciento de ellas mujeres y 47 por ciento hombres. La investigación, que contó con el apoyo del Centro Nacional de Educación Sexual, continúa esfuerzos similares realizados en 1994 y 2002, pero limitados entonces a la capital de la isla.

 

"Ellos tienen derecho a vivir como escojan su sexualidad", dijo un joven universitario, de 25 años, habitante de la provincia central de Sancti Spíritus.

 

La evidencia de un posible cambio de mentalidad en las personas más jóvenes ocurre en un momento en que investigaciones científicas dan cuenta también de un mayor uso del condón en esas edades, entre otras actitudes que marcan la diferencia entre madre, padre e hijos.

 

Aunque el sondeo de SEMlac, aplicado a mediados de esta década, constató el mantenimiento de estereotipos sobre la homosexualidad a nivel social, se notan avances hacia una mejor comprensión de esta problemática, en relación con las investigaciones similares realizadas con anterioridad.

 

Si 68,3 por ciento de las personas entrevistadas al azar en las calles de La Habana, en 1994, mostraron un conocimiento adecuado sobre la definición de homosexualidad, la proporción creció a 71 por ciento en 2002 y a 77 por ciento en el último sondeo periodístico de alcance nacional, que abarcó entre 2005 y 2007.

 

En tanto, 23 por ciento de la muestra definió la homosexualidad como una enfermedad, defecto, problema psíquico y desajuste en la personalidad. Dentro de este grupo, siete por ciento asoció la supuesta "deformación en la personalidad" con "problemas en la educación familiar" o el "deseo de llamar la atención".

 

Aunque de manera general no se encontraron diferencias importantes por edad o sexo, la vinculación de esta orientación sexual con una enfermedad fue más frecuente en la provincia occidental cubana de Pinar del Río y en las orientales de Las Tunas, Santiago de Cuba y Guantánamo.

 

"Para mí era una aberración, ese era mi criterio. Ahora pienso que son personas normales que necesitan atención y no se les debe dar la espalda", dijo un habanero de 20 años, graduado de preuniversitario.

 

Otro hombre, del mismo nivel educacional pero de 50 años y residente en la oriental ciudad de Santiago de Cuba, consideró la homosexualidad como "un hecho sin precedentes, algo erróneo de la naturaleza y que puede llegar a ser imitado", o lo que es lo mismo, aprendido.

 
Mayor rechazo hacia lesbianismo

Si los avances en materia de aceptación de la homosexualidad, como un todo, parecen ir parejo entre mujeres y hombres, la diferencia aflora a la hora de valorar a gay y lesbianas en un país donde la cultura machista hegemónica sigue dictando pautas.

 

En otras palabras, muy adentro de la mentalidad de cada persona, muchas veces al nivel de los instintos y no del pensamiento consciente, el hombre sigue teniendo el poder de decisión para hacer lo que desee con su vida y con su sexo, y la mujer tiene que cumplir con su función social reproductora.

 

Así, aunque la discriminación al hombre homosexual puede haber tenido expresiones públicas más extremas en el pasado reciente, a nivel de conciencia social las lesbianas siguen siendo menos aceptadas que los gays, incluso por las propias mujeres.

 

Mientras 27 por ciento de la muestra definió como "anormal" la homosexualidad masculina, la proporción se elevó a 32 por ciento en el caso del lesbianismo. Las mujeres mayores de 30 años fueron las más críticas respecto a esta orientación sexual en el sexo femenino.

 

Las diferencias se mantuvieron, también, a la hora de responder qué trato les darían a estas personas. El 17 por ciento de las personas entrevistadas afirmaron que rechazarían a un gay, proporción que se elevó a 22 por ciento de la muestra en el caso de las lesbianas.

 

Una simple enumeración de defectos y virtudes de gays y lesbianas muestra las diferencias de cómo son vistas unas y otros.

 
Aceptación con matices

Aunque 88 por ciento de la muestra aseguró que aceptaría a personas con orientación homosexual y se comprobó una evolución hacia la aceptación de la diferencia, en muchos casos este proceso se vincula a cierto sentimiento de compasión hacia personas que "no tienen la culpa de estar enfermas".

 

De las 500 personas entrevistadas en todo el país, sólo 12,4 por ciento reconoció tener familiares homosexuales. La mayoría de la muestra, 87 por ciento, aseguró aceptar a sus familiares como son y siete casos, todos hombres de distintas provincias y edades, afirmaron no tratarlos.

 

Si en estudios anteriores un grupo importante de personas aseguraba que, en caso de tener un hijo homosexual, buscaría ayuda para cambiar su orientación, ahora 87 por ciento de la muestra también lo haría, pero para "aprender a manejarlo".

 

El 79 por ciento de las personas consultadas, sin diferencias importantes entre hombres y mujeres, aseguró que apoyaría a sus hijos. El rechazo como alternativa fue seleccionado por seis por ciento de la muestra, explicado en muchos casos como que esta opción causaría "un gran problema y sufrimiento".

 

"No quiero hijos así", fue la expresión que plasmó en el cuestionario un hombre de 50 años, de la provincia oriental de Holguín. Por su parte, un habitante de la provincia central de Villa Clara, de 40 años, aseguró que, si esa era la alternativa, tendría que respetarla como ellos "la mía hacia el sexo opuesto".

 

Mientras a los gays se le atribuyeron 15 virtudes, estas sólo sumaron nueve en el caso de las lesbianas. La proporción también es desfavorable al universo femenino en el caso de los defectos: a los gay sólo se les encontraron seis y a las lesbianas once, casi el doble.

 

Por último, la mayoría de las personas consultadas aseguraron que el rechazo, la intolerancia y la discriminación hacia las personas homosexuales se mantienen en la sociedad cubana actual, aunque se aprecia un descenso de esta tendencia de 78 por ciento en 1994 a 75 por ciento a mediados de esta década.

 

Una mayor tolerancia para ambos sexos, lo cual no quiere decir comprensión, fue reconocida por 25 por ciento de quienes fueron entrevistados, sin diferencias entre edades y sexos. "El rechazo empieza desde la infancia, tanto en la familia como en la escuela", dijo una mujer habanera, de 42 años.

 

RECUADRO

Opiniones diversas

Las historias que reflejan la homofobia latente en la sociedad cubana afloraron en las entrevistas realizadas por SEMlac a 500 personas en todo el país.

 - "Vi a una compañera de trabajo siendo discriminada y objeto de burlas. Yo nunca caí en eso, me daba pena". (Mujer, 30 años, universitaria, Villa Clara)

 - "Tengo un vecino homosexual que durante mucho tiempo no pudo integrar el Comité de Defensa de la Revolución, a pesar de que era muy correcto y revolucionario: por suerte eso se arregló". (Mujer, 60 años, universitaria, Villa Clara)

 - "En esta ciudad se observa de lejos y se ridiculiza al homosexual. Los hombres son descubiertos de una mirada y puestos en ridículos los dos. Las mujeres tienen la ventaja de pasar inadvertidas, aunque a veces, al descubrirlas, la gente escupe". (Hombre, 30 años, universitario. Las Tunas)

 - "Tengo un compañero de aula que es bueno, pero lo discriminan por homosexual. No se sientan con él, no le hablan y lo apartan del grupo". (Mujer, 15 años, preuniversitario, Las Tunas)

 - "Conocí a un chico gay. No lo dejaban trabajar en ningún sitio, la familia y los vecinos lo rechazaban, hasta que se suicidó. Cuando se dieron cuenta ya era tarde. A veces estas personas tienen muchos defectos porque la sociedad los rechaza". (Hombre, 30 años, universitario, Guantánamo)

 - "En sentido general se observa una mayor aceptación hacia estas personas. La sociedad ha ido evolucionando, pero creo que todavía a nivel familiar se muestra rechazo". (Mujer, 50 años, universitaria, Ciudad de la Habana)

 - "Conozco muchachos que estudian conmigo en la universidad y que no son rechazados. Son evaluados en la carrera por sus capacidades. Mi generación ya está aceptando esto". (Hombre, 20 años, universitario, Ciudad de la Habana)

 

 
Homosexualidad: Rechazo social sigue latente
SEMlac – Corresponsalía Cuba
Amnistía  1727
02-11-2009 09:12 PM ET (US)
  
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Una vez más, tenemos que pedirte que actúes con nosotros: no aceptamos que el derecho internacional sea infringido y que no pase nada. Sin rendición de cuentas, sin justicia no puede haber ni paz ni seguridad sostenibles.

Como seguro ya sabes, en el caso de Gaza las víctimas son civiles que nada tienen que ver con el terrorismo: son niños con graves quemaduras de fósforo blanco que no cicatrizan, son jóvenes que no volverán a la universidad porque fueron alcanzados por misiles rellenos de diminutos cubos metálicos que aumentan su fuerza letal, son familias que han perdido hasta a 25 de sus miembros en bombardeos con aviones teledirigidos...

También los cohetes lanzados por Hamás de forma indiscriminada suponen un crimen de guerra por el que deben rendir cuentas.

Desde Amnistía Internacional pedimos a Yukio Takasu, presidente del Consejo de Seguridad de NU hasta el 28 de febrero, que adopte decisiones inmediatas para que las infracciones del derecho internacional, incluyendo los crímenes de guerra que se hayan cometido, no queden impunes. Es necesario que se haga justicia y sabemos que contamos contigo.

Para unirte a esta petición, sólo tienes que hacer clic aquí. Además, si lo consideras de su interés, comparte esta información con tus contactos.

Gracias por tu solidaridad. Recibe un saludo muy cordial,

Eva Suárez-Llanos
Directora
Amnistía Internacional Sección Española

 P. S. : Cada día te necesitamos a nuestro lado: ésta y todas nuestras campañas las financian personas como tu y como yo, que no pueden mirar hacia otro lado y desean hacer algo por el respeto a la dignidad humana. Merece la pena: hazte socio/a ahora.
  
   
¿Sabes qué es un "zannana"? más info
manunegra  1726
02-06-2009 08:50 PM ET (US)
O nosso GG em Havana (trechos do livro)
Pedro Juan Gutiérrez

Um grupo de uns quarenta turistas americanos, alegres e despreocupados, alguns vestidos com camisas floridas e calças brancas, passou velozmente pelo balcão da imigração. O oficial levou alguns segundos a mais com um homem magro e de baixa estatura que apresentou um passaporte britânico. Observou a foto, olhou para o rosto do viajante, constatou que eram idênticos, estampou o carimbo de entrada e lhe disse amavelmente: "Welcome, mister."


O homenzinho saiu do prédio do aeroporto e vários taxistas lhe ofereceram seus serviços. Nem olhou para eles.

Entrou no carro mais próximo. Num espanhol rudimentar, disse ao motorista:

— Pode me levar para um hotel na cidade?

— Prefere um de luxo?

— Não.

— Em volta do Parque Central há hotéis confortáveis e muito bem localizados.

— Não conheço a cidade.

— O senhor é americano? Talvez queira...

— Não sou americano. Sou britânico.

— Ah, o ideal para o senhor é o Hotel Inglaterra. Tem bons preços e é muito confortável.

— Ótimo.

O motorista continuou tagarelando: o calor, a área do Parque Central, o beisebol das Grandes Ligas, as comidas típicas que poderia experimentar nos restaurantes. Pulava de um assunto para outro, sem parar um instante. O visitante não lhe respondeu nada. O motorista, mesmo assim, continuou falando alto, quase aos gritos, para ser ouvido acima do rádio do carro, sintonizado numa estação que misturava anúncios comerciais estridentes com guarachas, chachachás, rumbas, mambos, rancheiras. De tudo um pouco.

(...) O homem se encolheu no assento traseiro e fechou os olhos. Vinha em busca de diversão e de uma mudança radical de ambiente. Possivelmente, por que não?, mudança radical de vida. Em Liverpool não conseguiria jamais. Em outro lugar, sim, poderia dar uma virada e seguir um novo rumo.

Estranho no café

"Um homem se sentou ao seu lado. Pôs um envelope no balcão, junto à sua xícara, olhou-o nos olhos e disee amavelmente:'Leia, por favor.' GG pegou o envelope e abriu. 0 homem levantou-se do tamborete e se despediu: 'Até Iogo, espero que nos vejamos.' Era um bilhete escrito à máquina: 'Venha nos encontrar esta noite às 20h na porta principal do Coney lsland Park. Não diga nadaá polícia nem ao FBL Pode Ihe interessar muito. Que¡me esta mensagem.' GG guardou-a no bolso do paletó. Por que queimar? Pagou e deu um passeio pelos arredores. Comprou uma camisa e uma guaiabeira brancas. Muito frescas. (...) Após uma hora de passeio estava esgotado, 0 calor e a umidade são insuportáveis em julho. Voltou para o quarto e se refugiou de novo no ar-condicionado. Procurou o manuscrito de 'The Quiet Arnerican'. "

Ameaça

"Um grupinho de oomunistas daqui falou com você, e outro grupinho de caçadores de nazistas também falou. Os dois querem que escreva uns livrinhos sobre Cuba. Denegrindo, ofendendo os cubanos. (...) Vou liquidar pessoalmente
esses dois grupinhos. (...) E você nao pode escreverr nada, Nadínha. (...) Cuba é
um paraíso, um verão eterno, meu senhor. Vamos receber turistas milionários.
Todos os anos virão milhões e milhões deixar seu dnheiro aqui. E, portanto,
em Cuba não acontece nada desagadável.".

© Pedro Juan Gutiérrez

   Trecho do livro de O nosso GG em Havana
manunegra  1725
02-06-2009 08:49 PM ET (US)
O ninho da serpente: Memórias do filho do sorveteiro (trecho do livro)
Pedro Juan Gutiérrez

1

Eu queria ser alguém e não passar a vida vendendo sorvete. Achei que a solução seria aprender algum ofício. Alguma coisa que servisse para fascinar as pessoas. E lia Como falar bem em público e conquistar amigos, de Dale Carnegie. É preciso fascinar. Seduzir. Quem sabe falar sempre puxa a sardinha para a sua brasa. Por isso os abrutalhados morrem dando duro e não vão além disso. E os muito falantes se metem em política e chegam a presidentes.

   Quem me deu o livro foi um tio que partiu para Miami. Uma caixa cheia de livros velhos: O poder da vontade, Hipnotismo para a vida cotidiana, Hinos e salmos da Igreja Científica do Senhor, História da Real Polícia Montada do Canadá, Como fazer boas fotos de família, Biblioteca condensada do Reader’s Digest.

   Eu gostava muito do tal livro sobre hipnotismo. Dizia que é possível hipnotizar todo mundo e viver como um rei, de papo pro ar. Era perfeito. Seduzir com lábia e hipnotizar com a mente. O carrinho de sorvetes era muito pesado, o sol, o suor. Eu tinha quinze anos, mas era grande e forte. Aparentava vinte e dizia sempre “tenho vinte anos.” Ficava mais fácil.

   Na época meus amigos me chamavam de Chupavelha, Carniceiro e Tinhosa. Culpa minha mesmo, porque eu me exibia. “Da próxima vez tenho de ser mais esperto. Nada de me exibir com putas velhas”, pensava. Depois, aprendi a ser mais discreto. A viver sozinho sem que ninguém conhecesse os meus segredos.

   Eu morava na rua Magdalena, a uma quadra de La Marina, no bairro das putas, em Matanzas. Tinham fechado aquilo tudo uns dois ou três anos antes. Tudo fechado: bares, bordéis, bilhares, cassinos, clubes. Tudo. Quase não havia marinheiros por ali. O porto logo ficou semiparalisado e o ambiente começava a ficar insípido e confuso. Era o ano de 1965. Ninguém entendia muito bem que porra estava acontecendo, nem para onde as coisas estavam indo. Era como um barco à deriva, sacudindo em meio à tormenta.

   Sempre gostei do bairro das putas. Bem barulhento. Corria dinheiro. Agora menos, com poucas putas que permaneciam no ofício, tomando cuidado com a polícia. Perto do rio havia um pequeno zoológico. O parque Watkin. Eu tinha pouco o que fazer. Às vezes atravessava o bairro das putas, chegava ao parque e me sentava debaixo das árvores lendo meu livrinho. Tinha exercícios de vocalização, dicção, improvisação e memória. Era um bom lugar para praticar.

   Naquela manhã eu estava distraído, lendo. De repente, passou a meu lado um macaquinho pequeno e com rabo muito comprido. Guinchava e corria feito um desesperado. Atrás, vinham dois funcionários com uma rede. Tinha escapado deles. O macaco não sabia o que fazer e se enfiou dentro da jaula dos leões. Os caras estavam com fome. Rugiram e deram patadas. O macaco fugiu a tempo. Trepou pelas barras e subiu para o teto. Lá estavam os vigilantes esperando com a rede. Não pegaram ele por pouco. O macaquinho escapou de novo para baixo. Um dos leões deu um salto e quase o mordeu. O macaquinho guinchou aterrorizado e subiu de novo para a rede. E novo conseguiu escapar e se enfiar dentro da jaula. Eu gostava muito do que os leões faziam: ficavam deitados, em aparente relax, com a cabeça levantada, mas tranqüilos, sem mexer nem um olho. Quando o macaco descia, um dos leões, o mais próximo, dava um salto incrível, de quase dois metros, e ao mesmo tempo estendia a pata num golpe mortal. O macaquinho fugia aterrorizado e os leões esperavam tranqüilamente. Me lembro sempre dessa cena. Nunca se deve fugir aterrorizado. É preciso ter a serenidade alerta, a paciência astuta dos leões. Quem foge aterrorizado vai direto para a morte.

   O macaco repetiu o trajeto louco três ou quatro vezes. Não lhe ocorria fugir para outro lugar. Só subia e descia pelas barras de ferro. Numa dessas, um dos leões calculou bem e lhe acertou uma patada brutal. O macaco nem chiou. Direto para a boca. Todos os ossos crepitaram selvagemente. O leão engoliu o macaco em dois segundos. E se deitou de novo, muito digno, tranqüilo, digerindo o lanche. Aqui não aconteceu nada.

   Da outra jaula, ali ao lado, a macaquinha esposa do dissidente guinchava como se estivessem tirando o couro dela. Dava saltos e se jogava contra a grade. Quando viu que o leão tinha engolido o marido, começou a chorar. Encostou-se nas grades da jaula soluçando desconsoladamente, como uma pessoa. Escalou a grade até o alto. Pendurou-se pelo dedo indicador da mão esquerda e soltou todo o corpo. Depressão total. Queria morrer e se pendurou para esperar a morte.

   Eu tinha assistido àquilo tudo dando risada. Era muito divertido. Não entendia nada de amor, nem de boleros, nem de morte e sensações de perda. Nada de nada. E portanto era cruel, impiedoso, ignorante e feliz. O homem típico. Quer dizer, um imbecil perfeito.

   Num banco na frente do meu havia se sentado uma mulher. Uma velha. Devia ter quarenta e poucos anos, mas aparentava sessenta. Chorava feito uma madalena. Estava de vestido sem alças, com os ombros descobertos, o uniforme das putas. Era boa, mas muito ferrada. Machucada pela vida. Não tinha mais ninguém por ali. Só nós dois. Eu era punheteiro. Batia quatro, cinco punhetas por dia, olhando umas fotos da Brigitte Bardot. Os punheteiros quase sempre são tímidos. Eu era muito tímido. Tímido demais. Mas o livro dizia que os tímidos são perdedores em potencial. É preciso arriscar. E me atirei. Com o coração batendo muito rápido, quase me saindo pela boca, respirei fundo e disse:

   — Por que você está chorando? Por causa do macaquinho?

   — É. E por causa da macaquinha. Coitadinha.

   O nariz dela escorria. Eu não tinha lenço. Ela também não. Apertou com um dedo a fossa nasal esquerda, soprou forte e uma ostra amarela de muco denso disparou para o chão. Fez a mesma coisa com a direita. Era uma porca. Se percebia a um quilômetro de distância. Limpou-se com as costas da mão e me disse:

   — Ficou sozinha.

   E começou a chorar de novo. Resolvi falar com intimidade. Ela não merecia outra coisa.

   — Não chore. São animais, não sofrem.

   — Sofrem, sim. São filhos de Deus. Não está vendo a macaquinha, como chora? E olhe o filho-da-puta do leão como está sossegado, de barriga cheia.

   — O macaco foi muito burro e não conseguiu fugir. É a lei da natureza. Este mundo não é para gente tonta e analfabeta.

   — Ai, como você fala bonito. Que inteligente!

   Enxugou as lágrimas. Chupou o ranho e me deu um sorriso. Especial. Eu não soube o que dizer. As instruções de Dale Carnegie já estavam dando resultado, mas eu não sabia como continuar.

   — Está estudando?

   — Ééé... estou. Não. Não tenho nada para fazer. Vendo sorvete, mas agora a fábrica fechou e... estou lendo um pouquinho.

   — Ahhh...

   Ficou olhando para mim como se eu fosse o Marlon Brando e ela a Marilyn Monroe. Fiquei vermelho e baixei os olhos.

   — Quantos anos você tem?

   — Vinte.

   — Não minta. Seu nariz vai crescer.

   Ela estava ficando provocante. Olhei melhor. Tinha boa bunda, bons peitos, boas pernas. Mas tudo machucado, sujo e meio mole. O rosto enrugado pela bebida.

   — É verdade! Tenho vinte!

   — Deve ter dezoito, no máximo... Acontece que você é grandão, um monte de músculos. E muito sério. Por que você é tão sério?

   Fiquei vermelho de novo. Senti o rosto arder. Nunca tinha me acontecido uma coisa daquelas.

   — Como é o seu nome?

   — Pedro Juan.

   — Muito comprido. Posso chamar você de Pedro?

   — Pode.

   — Pedrito?

   — Pode.

   — Eu me chamo Dinorah.

   — E o que que você faz, Dinorah?

   — Nada.

   — Qual é a sua ocupação?

   — Nenhuma. Por que você é tão perguntador?

   Falou isso sorrindo. Sorri também. Não tinha nada para dizer e estava começando a ter uma ereção. Era assim o tempo todo. Eu vivia de ereção em ereção. Talvez fosse muito imaginativo. Como uma doença incontrolável. Olhando bem, gostava da velhusca. Os olhos dela eram expressivos. Ria com o olhar.

   — Chegue mais perto, menino. Eu não mordo.

   Sentei-me ao lado dela e pus o livro em cima da braguilha. Me incomodava que ela visse aquele volume espetado para cima feito uma flecha. Mas ela me atacou com um direto no queixo:

   — Logo se vê que você está com um tremendo atraso, papi.

   Olhou em volta. Não havia ninguém. Estendeu a mão, agarrou meu pau e apertou. Meu pau ficou ainda mais duro e meu coração disparou. Tinha mãos hábeis. Dobrei a perna direita. Ela estava à minha esquerda. Desceu o zíper da calça. Tirou o pau para fora. Olhou e me disse:

   — Ai, menino, que pau mais lindo. Não é todo dia que se vê um assim.

   Bateu-me uma punheta de cabeça e num minuto soltei um jorro a dois metros de distância. A piroca continuava dura. Não cedeu nem um milímetro. Ela me olhou nos olhos e disse:

   — Logo se vê que você está bem alimentado. O que que você come? Carne de cavalo?

   Olhei para ela. Estávamos os dois de olhos apertados.

   — O que vai fazer agora, papi?

   — Nada.

   — Guarde isso e vamos pra minha casa que eu vou te ensinar uma coisinha.

   — O quê?

   — É uma surpresinha.

   Prendi o pau entre as coxas para ver se baixava. Mas ele ficou mais duro. Cada vez mais. Estava doendo. Fui andando ao lado de Dinorah me cobrindo com o livro. Ela morava muito perto. Tinha um quarto num cortiço da rua Velarde. Entramos. Ela fechou a porta com dois ferrolhos. Acendeu uma lâmpada pendurada no teto. Sentou-se na cama e me disse:

   — Tira a roupa, titi. Quero ver você inteirinho pra te dar a mamadeira.

   Engoli em seco. Continuava com o coração disparado. Tirei a roupa e fiquei no meio do quarto. Era uma sensação estranha e ambígua: nervoso, tímido e medroso, mas ao mesmo tempo eu era o Super-Homem misturado com o Tarzã. Ela me examinou atentamente de cima abaixo. Se ajoelhou e me chupou o pau olhando para um espelho grande que havia na parede. Minha cabeça estava em branco. Aí ela apagou a luz e ficou tudo escuro. O quarto não tinha janelas. Tateando, ela me levou para a cama. Ficou por cima de mim e pouco a pouco foi enfiando minha piroca para dentro até engolir tudo. Não sei em que momento ela havia tirado a roupa.

   Eu me sentia nas nuvens. Era a primeira vez que trepava. Meu pai sempre me dizia:

   — Não sei até quando você vai continuar virgem. Você não gosta de mulher? Com tanta puta que tem neste bairro... Você vai se matar de tanta punheta. Punheteiro depois não fica de pau duro com as mulheres.

   Dinorah tinha um controle muscular fabuloso na vagina. Parecia uma mão. Uma tenaz. Me apertava o pau, massageava, esticava. Tinha um creme natural, uma lubrificação excessiva, e sugava. Era como uma mão, um alicate e uma boca. Três em uma. Incrível aparelhinho! Ela devia patentear aquilo. Raríssimas mulheres conseguem fazer aquilo. Uma bomba de sucção.

   Passamos horas ali. Eu ejaculava e seguia em frente. Tinha ejaculado três vezes, já. O pau duro. Uma vez ordenhado era só músculo. Ela estava desmaiando de tanto orgasmo, mas continuava. Muito gulosa. Pedia mais. Debaixo da cama havia uma garrafa de aguardente. Ela me passava os goles direto da sua boca. Um pouco fedida, mas o álcool neutralizava as emanações de fígado apodrecido.

   Não sei quantas horas depois resolveu parar. Levantou da cama e acendeu a luz. Antes não tivesse acendido.

   — Ai, menino, você me ralou a boceta. Gosta tanto assim?

   — Gosto.

    Por fim a vi nua. A barriga flácida, as pernas e as coxas cobertas de varizes, os peitos grandes e caídos, a pele suja e encardida, os dentes amarelos e podres. Olhou para mim com as mãos na cintura e riu, descarada:

   — Gosta mesmo de mim? Olhe bem.

   E deu um giro, alegre, como uma modelo, como uma ninfa púbere com todas as medidas do cânone grego. Olhei bem para ela e me deu raiva de mim mesmo. Ou asco. Não sei.

   — Uma puta velha, é o que você é!

   — Ah, ficou enjoado depois de comer o doce-de-coco, é? Hahahá. Continue comendo que é grátis, hahahá.

   Levantei da cama e comecei a me vestir. De repente, estava furioso. Ela havia me enganado. Por isso a luz apagada. Para eu não ver como ela era. Ela sabia que era um trapo sujo de merda seca. Se aproximou de mim muito melosa, mas eu estava com nojo. De mim mesmo, acho. A primeira vez que trepava e tinha de ser com aquele vômito de cachorro. “Você é um cretino, Pedrito, um cretino, e essa puta aí te enganou”, eu dizia para mim mesmo.

   — Mas o que aconteceu, papi, por que você vai embora tão depressa?

   — Me deixe em paz.

   — Não gosta de mim?

    Aproximou-se para me acariciar as costas. Me virei. Com a mão esquerda agarrei-a pela nuca e com a direita meti-lhe umas quantas bolachas na cara. Duras. Bati com vontade.

   — Descarada, suja, porca, puta, desgraçada!

   — Ai, chulito mío, não me faça isso que eu gozo. Ai, você vai me matar! Olhe, como me escorre pelas pernas. Olhe, chulito, como você sabe, filho-da-mãe! Quem te ensinou tudo isso?

   Abriu as pernas e separou os lábios para me mostrar como lhe escorria líquido pela coxas abaixo. Fiquei ainda mais furioso porque a ereção estava voltando.

   — Olhe como está ficando a sua estaca, papi. Olhe só isso. Pica de Ouro! Que pica mais linda, meu Deus!

   Apliquei-lhe vários pescoções. Mas, quanto mais eu batia, mais frenética ela ficava. E mais duro ficava meu pau. Ela gemia e se enroscava, fora do mundo. Tirei o cinto. Aos empurrões, pus ela de bruços e dei-lhe um monte de cintadas. Ela gritava feito uma cadela e me pedia:

   — Mete no meu cu. Ai, pare de me bater, seu atrevido! Menino malvado! Filho-da-puta. Mete no meu cu. Você é um louco. Pica de Ouro! Eu sou filha dos maus-tratos. Me bate mais com o cinto. Bate pra doer.

   Meti no cu dela, na frente e na boca. Gostava daquela porca. Gostava e sentia nojo. Me sentia bem e mal com ela. Queria beijar até os pés dela e me excitava até com aquele hálito asqueroso de tabaco, de rum, de cebola e alho, de dente podre. Queria tirar sangue dela. Gostava do cheiro de umidade, de mofo, de merda e vômito do quarto dela, mas ao mesmo tempo queria dar as costas para aquela coisa asquerosa e não voltar nunca mais. A luxúria e o desespero.

   Continuamos tomando aguardente e metendo. Horas e horas. Suando, alucinados, bêbados, loucos, com o diabo no corpo. Ela apareceu com um pouco de maconha. Enchemos os pulmões daquilo, até as tripas. Tudo com Dinorah. O mundo estava rodando.

   Quando saí do quarto, era noite. Eu não tinha relógio. Devia ser de madrugada. As ruas vazias. Cheguei em casa desfalecido, suado, fedido, bêbado. Quase inconsciente. Me joguei na cama e dormi na mesma hora, como uma pedra.

© Pedro Juan Gutiérrez

   Trecho do livro de O ninho da serpente: Memórias do filho do sorveteiro
manunegra  1724
02-06-2009 08:47 PM ET (US)
El insaciable hombre araña (história)
   
 Sossego, paz, serenidade (história)
Pedro Juan Gutiérrez

   Estava escutando o Messias de Haendel. Eram seis da tarde e precisava sossegar um pouco meu espírito. Na noite anterior havia tido uma grande briga com minha mulher. Uns amigos nos convidaram para jantar. Chegamos, bebemos, conversamos. O de sempre. Éramos umas dez pessoas. Bebemos bastante. Por fim, puseram a comida na mesa. E eu, muito gentil, servi um prato para Julia. Levei para ela e fui para a cozinha para continuar bebendo e conversando. Um mulato com uma cara muito estranha - parecia um tubarão sorridente - ajudava a servir. Lavava pratos e copos, preparava os drinques. Não saía da cozinha, mas era muito eficiente. Não bebia. Só trabalhava. A dona da casa, em seus anos de juventude, foi uma vedete famosa. Acho que não se usa mais essa palavra. Ou o conceito está fora de moda. Não sei. Foi vedete. Essas mulheres tão sedutoras e brilhantes sempre têm à sua volta uma corte de veadinhos encantadores que as admiram-respeitam-invejam-adoram. E além disso alimentam os eflúvios hipnotizadores da diva. O mulato era um desses veadinhos. Ajudava-a com amor e devoção. Assim impedia que ela sujasse as mãos. Falando com o sujeito descubro que somos vizinhos. Moramos a duas quadras, em Centro Havana. E não sei como começamos a falar de santería. "Você é filho de Xangô, mas sua mãe é Oxum", me disse. E por aí fomos conversando. Tínhamos coisas em comum. Havia uma boa química entre o tubarão gay e eu. Ele lavava pratos e eu bebia rum. Então me disse que trabalhava em um hospital.

© Pedro Juan Gutiérrez

   Sossego, paz, serenidade é uma história que é incluída no livro O insaciável homem-aranha
manunegra  1723
02-06-2009 08:46 PM ET (US)
 
      
   El insaciable hombre araña (história)
   
 O boxeador (história)
Pedro Juan Gutiérrez

   Chegamos cedo à praia. Eram nove e meia, mas à sombra de cada coqueiro havia grupos de pessoas. Só três famílias tinham guarda-sóis. Estendemos umas toalhas debaixo de um coqueiro despenteado, seco e doentio. Dava uma sombra mínima. Não havia outro livre. Minha mulher se queixou:

   -É o mesmo que nada. Melhor sentar no sol e torrar.

   -É mais que nada.

   -Ai! Vou ficar preta.

   -Pensamento positivo, Julia, pensamento positivo.

   -Viemos cedo porque quisemos.

   -Olhe que beleza está a água. Azulzinha e verde. Vamos.

   -Não.

   Ela não sabe nadar. Vem para a praia com um livro e meio litro de rum. Eu adoro a água. Gosto de me afastar da praia, nadar uma hora, me tonificar, limpar as toxinas.

   Fiz isso, me afastei um quilômetro da praia e fiquei sozinho. Sem barulhos e sem nada. Boiando de barriga para cima. A água salgada e transparente, o céu azul, o sol, uma leve brisa que apenas roça a superfície. Fiquei assim muito tempo. É uma sensação perfeita. De equilíbrio talvez. Interior e exterior. Talvez seja o que os peixes sentem. Não há sentimentos. Não há interrupção. Não há tempo. Não há princípio nem fim. Nada. Deixa-se de existir. Quisera ficar assim eternamente. Por fim consigo me controlar e volto para a praia. Sem pressa, nadando suavemente. Quisera não chegar nunca.

   Vou até o coqueiro. Certo. A sombra é escassa demais. Estamos em maio, mas o sol queima como se fosse agosto. Sento-me na areia. Julia está lendo um livro muito grosso sobre o tráfico de escravos. Olho para ela sorrindo:

   -Por pouco você não traz a Enciclopédia Britânica.

   -Por quê?

   -Esse livro tem novecentas páginas. Não tinha nada mais simples?

   -Estou lendo isto faz dias.

   -Às vezes você é muito prática, mas outras vezes você é... ahhh...

   Me controlo. Não vou arrumar um drama, mas sou eu que carrego a mochila, e esse livro pesa quase dois quilos. Acho que ela faz de propósito. Tomo um gole grande de rum.


© Pedro Juan Gutiérrez

   O boxeador é uma história que é incluída no livro O insaciável homem-aranha
manunegra  1722
02-06-2009 08:46 PM ET (US)
El insaciable hombre araña (história)
   
 Silvia em N.Y. (história)
Pedro Juan Gutiérrez

   No inverno de 1992, Silvia visita Nova York por três meses e se aloja no apartamento de uma prima na 94 St. West, de um dos lados do Central Park.

   Uma tarde, dez minutos antes de escurecer, caminha apressada e cuidadosamente por uma vereda do parque. Concentra-se em seus passos porque há rajadas de vento. O chão está gelado e pode escorregar.

   É uma área completamente desolada. Só árvores, bancos e o vento frio. Um pouco mais adiante, há umas quadras de tênis. Vazias. Silvia está com as mãos nos bolsos de seu grande casado preto. Apalpa um pacote de cartões com a reprodução de um de seus quadros. No verso, está impresso o convite para a abertura de sua primeira exposição individual em N.Y. Dentro de três dias. Conseguiu uma galeria boa. Não é de primeira classe, mas também não é de quarta.

   Silvia pensa em como vai organizar o vernissage e faz cálculos para o futuro. Seu sonho dourado é encontrar um marido milionário que a mantenha, para se entregar totalmente à sua arte. O vento está muito frio. Sente o rosto e as orelhas geladas. De repente, aparece um negro alto e forte que a agarra por um braço e diz alguma coisa em inglês. Silvia se horroriza e pensa: "Ah, não, comigo não pode acontecer isso. Não pode".

(...)

   Não sei onde mora, nem o que faz. Não sei nada. Alguém me disse que casou com um psiquiatra milionário, que vive na zona de Cape cód, que engordou muito. Não sei. Caí em um estado depressivo que durou anos. Foi terrível e não quero lembrar aquele tempo: depressivo, furioso, raivoso, descontrolado, bêbado o dia inteiro, sem comida, sem dinheiro, claustrofóbico, com intenções suicidas, todos os dias trepava com uma negra diferente. Ás vezes, pegava chatos. Procurava as mais vulgares e prosaicas do meu bairro.

© Pedro Juan Gutiérrez

   Silvia em N.Y. é uma história que é incluída no livro O insaciável homem-aranha
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